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França Festival de Cannes Cinema brasileiro

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Longa brasileiro Aquarius é um dos favoritos à Palma de Ouro em Cannes

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Equipe do filme brasileiro "Aquarius" que concorre à Palma de Ouro em Cannes. REUTERS/Yves Herman

Aplaudido na projeção oficial e elogiado pela imprensa nesta quarta-feira (18), o filme Aquarius, do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, entra com força na corrida pela Palma de Ouro do Festival de Cannes. O gesto político da equipe na subida da escadaria também levantou questionamentos sobre a crise brasileira.


Letícia Constant, enviada especial

O ato pela democracia da equipe do diretor Kleber Mendonça Filho, ontem (17), no tapete vermelho, teve grande repercussão, e até Dilma Rousseff enviou um tuite ao cineasta, com os dizeres: Ao elenco extraordinário do filme #Aquarius um beijo em nome da democracia.

Ao lado da excelente recepção de Aquarius na projeção oficial, os elogios da imprensa francesa de hoje confirmam que o longa é um forte candidato na corrida pela Palma de Ouro. A crítica de cinema do Le Monde Isabelle Regnier considerou "Aquarius" o melhor filme exibido até agora na competição oficial. O jornal escreve que o diretor pernambucano enfoca os problemas do Brasil contemporâneo com beleza e musicalidade. Sobre o protesto dos artistas no tapete vermelho, a crítica considerou um gesto "simples e forte", que ecoa com a revolta da personagem Clara, interpretada por Sônia Braga.

Libération também adorou o longa. O diário de esquerda destaca que Kleber apresenta em seu filme um retrato magnífico dos males da sociedade brasileira, por meio de Clara, em luta contra a ganância do capitalismo". O jornal descreve a atuação de Sônia Braga como “resplandecente”.

A revista Les Inrocks também elogia a atuação da atriz brasileira e diz que Aquarius é um filme "elegante e delicado sobre a passagem do tempo".

Mistério belga e miséria filipina

Sobre os filmes desta quarta (18), entram em cena os consagrados irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, com La Fille Inconnue (A Jovem Desconhecida, em versão livre). A trama fala de uma médica que certa noite, uma hora depois de ter fechado o consultório, ouve a campainha tocar, mas não vai abrir. No dia seguinte, ela fica sabendo que não muito longe dali foi encontrado o corpo de uma jovem, sem nenhum documento de identidade. Ela vai fazer de tudo para descobrir quem era aquela pessoa.

Em Cannes, os Dardenne já ganharam duas Palmas de Ouro (Rosetta, 1999; A Criança, 2005), um prêmio de Melhor roteiro (O Silêncio de Lorna, 2008) e um Grande Prêmio (O Menino da Bicicleta, 2011) .

Mãe heroica de Mendoza

O outro filme do dia vem das Filipinas. O diretor Brillante Mendoza com Ma’Rosa conta a história da vida difícil de uma mãe de quatro filhos que, com o marido, tem um mercadinho de bairro; para completar o orçamento da família, os dois fazem tráfico de drogas. Até que um dia o casal é preso e os filhos, frente a policiais corruptos, farão o impossível para comprar a liberdade dos país.