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Paris Homenagem Parada gay Massacre de Orlando transexual

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Parada gay de Paris tem segurança reforçada após atentado de Orlando

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Parada gay tem homenagem às vítimas de Orlando Divulgação

A Parada do Orgulho Gay de Paris, que acontece neste sábado (2), tem um esquema de segurança reforçado. Tudo por conta do atentado em uma boate gay em Orlando, nos EUA, há três semanas, que deixou 49 mortos. O evento parisiense conta com o triplo de policiais habitualmente presentes na parada.


A manifestação deveria ter acontecido na semana passada, mas, devido a um pedido da Secretaria de Segurança, foi adiada em uma semana. O motivo foi a Eurocopa, pois a parada teria acontecido em um período do campeonato que pedia uma grande mobilização das forças de ordem.

O percurso também foi reduzido pela metade. A Associação dos Pais Gays e Lésbicas pediu para que as pessoas deixem as crianças em casa. "Aconselhamos a prudência", disse a vice-presidente Marie-Claude Picardat.

Homenagem às vítimas

Haverá duas homenagens às vítimas de Orlando. "Uma antes da saída da parada, com um minuto de silêncio, e outra no palco montado na praça da Bastille, local de chegada, que ainda não foi definida", afirmou em entrevista à RFI Clémence Zamora-Cruz, porta voz da Inter-LGBT, organizadora do evento.

Segundo ela, o massacre de Orlando demonstra que a homofobia continua a matar, em todo o planeta. "Vamos continuar a ocupar com orgulho o espaço público e levantaremos sempre a bandeira da luta pela igualdade e contra a violência e a discriminação por orientação sexual."

O tema da parada deste ano são os direitos das pessoas transexuais, com o lema "Esterilizações forçadas, agressões, precariedade: stop!".

"Queremos denunciar a falta de ação da classe política diante dos graves atentados aos seus direitos fundamentais. Estamos mobilizados para pedir uma lei simplificando o estado civil dos transexuais. Essa lei deve seguir a resolução 2048 do Conselho Europeu, que pede que os estados-membros apliquem um procedimento rápido, transparente, acessível e baseado na auto-afirmação", acrescenta Clémence, ela mesma transexual.

Movimento gay indignado com o governo

A porta-voz afirma que o movimento gay francês está indignado que o governo e os legisladores permitam, na ausência de uma lei, que as pessoas trans sejam submetidas a esteralizações para poder mudar o estado civil e obter os papeis de acordo com seu gênero. "A falta de documentos os expõe à violência e à discriminação. Nenhuma medida para lutar contra a transfobia foi tomada. Pelo contrário, as iniciativas para sensibilizar a população quanto às questões de gênero, como o ABCD da igualdade, foram abandonadas."

Para Clémence, o governo apenas é coerente "na sua falta de vontade política pelos direitos e pela liberdade das pessoas LGBT". "Ele usa o velho mecanismo de promessas e recuos. Atualmente na França, a reprodução assistida não está aberta para todas as mulheres, e a filiação ainda é impossível de estabelecer desde o nascimento para as famílias com pais homossexuais. Nós denunciamos essa hierarquização das orientações sexuais, que discrimina as lésbica e as priva do direito de dispor dos seus corpos. A impossibilidade de estabelecer a filiação desde o nascimento coloca as famílias gays em uma situação de precariedade inaceitável: a mãe que não concebeu é obrigada a adotar seu próprio filho", diz.

De Montparnasse à praça da Bastille

A parada sai às 14h da praça 18 Juin 1940, em Montparnasse, e passará por Port Royal, Luxembourg, Cluny-La Sorbonne e a ponte de Sully-Morland para chegar, depois de 4,7 km de desfile, à praça da Bastille. São cerca de 40 carros alegóricos, representando diferentes coletivos e associações. No final da parada, haverá uma grande show com artistas renomados, de 16h às 22h.

A mestre de cerimônia será Shirley Souagnon. O primeiro a se apresentar é o grupo 3SomeSisters, que mistura electro tribal e pop mutante, com um estilo visual "glam". Depois será a vez da DJ Betty, que tocará um set especial para a performance de "voguing" do grupo House of Mizrahi. O "voguing", dança que imita poses de artistas de cinema e modelos, nasceu nos anos 1960 na comunidade gay do Harlem, em Nova York, e explodiu em popularidade nos anos 1990 com o hit "Vogue", de Madonna.

Em seguida assumem as pick-ups os DJs Maxime Iko, com um set atmosférico e pulsante, e Rag, diretora artística do coletivo Barbi(e)turix e residente das noites Wer for Me de Paris.

O evento é organizado há 10 anos pela Interassociação Lésbica, Gay, Bi e Transsexual, que reúne cerca de 60 associações e tem por missão lutar contra a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero e pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais.