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Ministro da economia Emmanuel Macron desafia François Hollande

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O ministro da economia francês, Emmanuel Macron, é destaque dos jornais da França REUTERS/Philippe Wojazer

O ministro da economia francês, Emmanuel Macron, é o grande destaque dos principais jornais da França nesta terça-feira (12).


Dois dias antes do discurso do presidente François Hollande no Dia Nacional do país, o 14 de julho, o político realiza esta noite um encontro para traçar as grandes linhas de um projeto que ele quer defender para o país. As publicações falam da possibilidade de uma candidatura às próximas eleições presidenciais no ano que vem.

O Le Figaro traz o tema na capa com a manchete "Emmanuel Macron desafia François Hollande". Pessoas próximas ao ministro da economia pedem para que ele rompa com o governo, mas Macron não deve anunciar nem candidatura nem saída do ministério na reunião. Segundo o jornal, ele não ultrapassará a linha vermelha e permanecerá na ambiguidade.

O governo socialista quer continuar acreditando que Macro será um aliado forte de Hollande nas próximas eleições. No partido, alguns o veem até em um cargo-chave em caso de reeleição do atual presidente. Porém o ministro, que lançou há alguns meses o movimento "Em marcha", procura ao mesmo tempo encorajar os seus partidários que sonham em fazer a política de outra forma.

Uma fonte do governo entrevistada pelo jornal diz que Macron faz jogo duplo e encampa uma estratégia para impedir Hollande de ser candidato.

36% dos franceses querem Macron candidato

Já o jornal Aujourd'hui en France destaca que uma pesquisa do Insituto Odoxa revela que 36% dos franceses desejam que ele seja candidato a presidente. Uma fonte próxima a Macron disse que ele é candidato sem dizer, que ele fará um discurso de candidatura sem candidatura.

O ministro, que preferiu o Tour de France no fim de semana à final da Eurocopa, disse em entrevista que ele almeja a camisa amarela - a do campeão do campeonato de ciclismo -, o que seria uma alusão à presidência.

Esta noite ele fará um discurso de 45 minutos para, segundo o próprio, traçar um horizonte político e fornecer perspectivas. O senador socialista François Patriat, um dos mais fervorosos apoiadores de Macron, disse que é necessário mostrar que o ministro da economia não está isolado, que ele é disponível, que ele tem uma visão. Cerca de 2000 pessoas comparecerão ao encontro, que acontece na Mutualité, um espaço mítico da esquerda francesa.

O evento custou 200 mil euros e um dos objetivos é conseguir mais filiados ao movimento Em Marcha, lançado pelo ministro, passando de 50 mil pessoas a 100 mil.

Efeito novidade

O Libération afirma que o efeito novidade é a principal vantagem de Macron. A reportagem, que entrevistou franceses que acreditam nas suas qualiades, diz que tudo é bom nele: a sua idade, seu estilo, seu perfil, seu posicionamento.

O empresário francês Alexandre, de 24 anos, diz que votaria com certeza no ministro se ele fosse candidato a presidente. Ele recusa a direita que julga extremista e um presidente, Hollande, que não consegue realizar um discurso decente em inglês. Já o militante socialista Vincent Debas, de 25 anos, acha que Macron oferece o que os franceses precisam, além de ter um lado libertário.