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Sob críticas americanas, políticos da França insistem na proibição do burquíni

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Capa do jornal Le Parisien/Aujourd'hui en France: "Dia D para o futuro do burquíni". Reprodução

A polêmica do burquíni domina as manchetes dos jornais franceses desta quinta-feira (25), quando o Conselho de Estado deverá finalmente se pronunciar sobre a constitucionalidade da proibição do traje de banho islâmico. Direita e parte da esquerda francesas seguem firmes no apoio à interdição, mesmo diante dos protestos vindos principalmente da imprensa anglo-saxã.


A proibição do burquíni foi determinada por prefeitos de diversas cidades litorâneas desde o início do verão e desperta um verdadeiro debate nacional. Nos Estados Unidos e na Inglaterra chovem críticas à lei francesa, tanto da imprensa quanto de organizações de direitos humanos.

Em um editorial do último dia 18, o jornal The New York Times é contundente na crítica aos franceses, chamando o debate de hipócrita e fruto do "paternalismo dos políticos, que acham que estão salvando as mulheres muçulmanas da escravização ao ditar o que elas podem ou não vestir". O editorial do New York Times ainda diz que “a histeria ameaça estigmatizar ainda mais os muçulmanos franceses”.

Nos jornais franceses desta quinta-feira, o tom é bastante diferente. O consevador Le Figaro destaca em sua manchete a divisão que há dentro da esquerda sobre o tema. O primeiro-ministro socialista, Manuel Valls, defende a ação policial contra o burquíni nas praias, mas sua colega, a ministra da Educação, Najat Vallaud-Belkacem, diz que é contra a intervenção das forças da lei, embora condene a roupa de banho.

64% contra o burquíni

Já o ex-presidente conservador Nicolas Sarkozy, agora pré-candidato à presidência, disse que os burquínis "são uma provocação a serviço de um projeto de islã político e radical".

Uma pesquisa realizada pelo Le Figaro aponta que 64% dos franceses são contra o uso do burquíni nas praias. O número aumenta entre os eleitores do partido de direita Republicanos, com 76%, e diminui entre os apoiadores do Partido Socialista - apenas 52% entre eles se dizem contra o traje.

O jornal Aujourd'hui en France, um tabloide que raramente toma posição, também publica um editorial, um tanto em cima do muro, mas não completamente. O editorialista coloca várias perguntas: "Que liberdade estão reivindicando neste caso: a de se vestir como quisermos ou a de provocar a república laica? Cada um tem a sua resposta", diz o editorial, mas termina dando a sua: "este debate só existe porque há uma religião que quer tirar o corpo da mulher, considerado impuro, de todos os espaços públicos".