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Le Figaro critica custo 'exorbitante' de pensões do funcionalismo na França

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O presidente François Hollande adora um discurso otimista, mas na prática não conseguiu melhorar a economia francesa. REUTERS/Philippe Wojazer

Os jornais desta sexta-feira (7) destacam temas centrais da campanha presidencial de 2017 na França, com a proximidade das primárias que serão realizadas em outubro e novembro pela direita e pelos ecologistas.


O jornal de tendência conservadora Le Figaro dedica sua manchete às desigualdades no sistema de aposentadorias. O diário denuncia vantagens que considera abusivas nas aposentadorias dos funcionários públicos em relação aos trabalhadores do setor privado.

Segundo o Tribunal de Contas francês, as aposentadorias do funcionalismo custam atualmente € 58 bilhões aos cofres públicos, contra € 16 bilhões em 1990. Em média, um funcionário público francês recebe uma pensão de € 2.520 por mês, contra € 1.770 para um trabalhador do setor privado, ou seja, a diferença de € 750 é considerável.

Em seu editorial, Le Figaro afirma que as aposentadorias do funcionalismo são "onerosas e injustificáveis". Elas representam "um custo exorbitante, incompreensível para a maioria dos franceses e também diante do estado calamitoso das contas públicas".

Modo de cálculo distorcido

Uma das causas de maior distorção é a base de cálculo. Enquanto a pensão do trabalhador comum será calculada em função dos 25 melhores anos de remuneração, a pensão do funcionário público só levará em conta os salários recebidos nos últimos seis meses. Em fim de carreira, a pessoa geralmente está ganhando bem. 

Le Figaro informa que todos os candidatos de direita que irão disputar as primárias defendem, a partir de 2018, o alinhamento das pensões do setor público com as do setor privado.

O diário econômico Les Echos analisa por que a França não consegue cumprir suas metas de crescimento econômico. Ontem, o Instituto de Estudos e Estatísticas (Insee) reviu para baixo a meta deste ano. A expansão do PIB só deverá alcançar 1,3%, portanto abaixo da média da zona do euro.

A constatação do diário é dura para o presidente François Hollande. "Esse mandato ficará na história como o pior dos últimos 58 anos para a economia francesa." Nos três primeiros anos do governo socialista, o país teve zero de crescimento. Em 2015, conseguiu uma ligeira melhora, mas voltou a um ritmo moroso em 2016. "Toda a responsabilidade não cabe ao governo", pondera Les Echos, mas é fato que houve "um erro de interpretação" do que era necessário fazer para estimular a economia francesa, conclui o jornal.