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Rússia inaugura imponente centro ortodoxo em Paris, sem Vladimir Putin

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O centro cultural ortodoxo russo foi inaugurado em Paris. REUTERS/Philippe Wojazer

O ministro russo da Cultura, Vladimir Medinsky e o embaixador da Rússia em Paris, Alexandre Orlov, inauguraram nesta quarta-feira (19) o monumental centro espiritual e cultural ortodoxo russo, que fica no coração de Paris, a dois passos da Torre Eiffel.


Moscou desembolsou € 170 milhões na construção das instalações, o que causou certa estranheza por parte dos cristãos ortodoxos, já que a Constituição do país separa a igreja do Estado.

O polêmico projeto, autorizado inicialmente em 2007 pelo então presidente Nicolas Sarkozy, provoca questionamentos. Como um país laico, a França considera que potências estrangeiras não devem financiar lugares de culto.

O complexo de 8.400 metros quadrados, localizado nas proximidades da Assembleia Nacional e do museu do Quai Branly, compreende uma livraria, uma sala de exposição, uma catedral com capacidade para 200 lugares, escritórios do serviço cultural da embaixada da Rússia, uma escola bilíngue franco-russa e uma cafeteria. Realizado pelo arquiteto francês Jean-Michel Wilmotte, a imponente construção apresenta quatro abóbadas menores e uma cúpula principal que culmina em 37 metros de altura.

Putin não participa da inauguração

A ausência do presidente russo, Vladimir Putin, demonstra o quanto as relações franco-russas foram afetadas desde que a França denunciou a Rússia por "crimes de guerra" na Síria, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, há duas semanas. O presidente francês, François Hollande, demonstrou que estava insatisfeito com a postura do russo. Putin acabou cancelando sua presença na inauguração da catedral Santíssima Trindade. O porta-voz do Kremlin anunciou que Putin virá a Paris “quando o momento for oportuno e o presidente Hollande se sentir à vontade.”

Segundo a escritora, historiadora e especialista do mundo russo Galia Ackerman, o projeto desta catedral é eminentemente político. Ela afirma que o local “será praticamente um centro de propaganda, bem como um lugar pomposo para receber dignitários russos e que servirá para organizar manifestações grandiosas.”
Outro ausente na cerimônia foi o patriarca Kirill, chefe da igreja ortodoxa russa. Supõe-se que ele também considere o projeto mais político que religioso.