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França Lavagem de dinheiro Jérôme Cahuzac

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Ex-ministro francês pega três anos de cadeia por lavagem de dinheiro

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O ex-ministro francês do Orçamento Jérôme Cahuzac, que renunciou em 2013 após a revelação de que tinha contas ocultas no exterior. REUTERS/Philippe Wojazer TPX IMAGES OF THE DAY

O ex-ministro francês do Orçamento Jérôme Cahuzac, que renunciou em 2013 após a revelação de que tinha contas ocultas no exterior, foi condenado nesta quinta-feira (8) a três anos de prisão em regime fechado por fraude fiscal e lavagem de dinheiro. Sua ex-mulher também foi condenada. Na década de 1990, o casal de médicos acumulou uma pequena fortuna com uma clínica de implante capilar.


Ao ouvir o anúncio do juiz, o ex-ministro, de 64 anos, permaneceu imóvel. Além da pena de reclusão, Cahuzac foi condenado a cinco anos de inegibilidade. A ex-mulher do político, Patrícia Menard, foi condenada a dois anos de prisão. O advogado do ministro, Jean Veil, disse que vai recorrer por considerar a pena "inadaptada".

O caso Cahuzac tornou-se emblemático pelo cinismo que um político é capaz de encarnar. Em dezembro de 2012, quando o site de notícias Mediapart revelou que o ministro do Orçamento era titular de uma conta na Suíça, ele negou com veemência. Durante quatro meses, Cahuzac mentiu sistematicamente a deputados, ministros e até ao presidente François Hollande. Mas o cerco se fechou, e ele acabou por renunciar em março de 2013.

O julgamento expôs os segredos bancários do casal Cahuzac, divorciado desde a revelação do caso. Na década de 1990, eles haviam tentado esconder a renda de uma próspera clínica de implante capilar, onde ele atuava como cirurgião e ela como dermatologista. "Estávamos cientes da ilegalidade" dessas práticas, disse Patrícia, uma "mulher traída", que revelou aos juízes a existência de uma conta na ilha Man, um paraíso fiscal.

Patrimônio dissimulado de € 3,5 milhões

As investigações revelaram que o casal escondeu da Receita um patrimônio global de € 3,5 milhões. Inicialmente, € 600 mil foram descobertos em uma conta na Suíça. Em uma tentativa de dissimular o dinheiro, a soma foi transferida pelo banco Reyl, de Genebra, para a unidade do banco Julius Baer em Cingapura. A justiça encontrou ainda € 2,7 milhões na ilha Man, em nome de Patrícia, e cerca de € 240 mil em cheques depositados em contas bancárias da mãe do político.

Ressaltando "a fluidez com a qual as coisas se encaixaram", quando Cahuzac pediu mais discrição e uma transferência de seus ativos da Suíça para Cingapura, o tribunal também sancionou o banco de Genebra Reyl, seu diretor François Reyl e um ex-advogado encarregado da operação financeira, Philippe Houman.

O estabelecimento foi condenado a pagar a multa máxima por lavagem de dinheiro, € 1,8 milhão, mas escapou de uma proibição de realizar qualquer atividade bancária na França, uma punição pedida pelo Ministério Público. François Reyl e Philippe Houman foram condenados a um ano de prisão com sursis e a € 375 mil de multa.

Ex-deputado, Cahuzac entrou no governo socialista em maio de 2012, com a promessa de lutar contra a fraude fiscal. Menos de um ano depois, ele saía pelas portas dos fundos, protagonista do maior escândalo do mandato de Hollande. Ao mesmo tempo, os franceses descobriam perplexos a guerra deflagrada entre ele e a ex-mulher, em processo de separação.

"Aceitar o cargo de ministro foi o erro da minha vida"

Este escândalo foi o pior da "República exemplar" prometida por Hollande durante sua campanha para se destacar do seu concorrente, o ex-presidente Nicolas Sarkozy, cujo nome é mencionado em vários processos judiciais. Desde então, a França reforçou as suas ferramentas contra a fraude e a corrupção, com a criação de uma alta autoridade para a transparência da vida pública, um estatuto para os denunciantes e uma agência anticorrupção.

Cahuzac renunciou à vida pública. Seus parentes dizem que ele está "quebrado". Tornar-se ministro, segundo ele, foi "o erro da minha vida".

Durante o julgamento, o ex-deputado ainda teve um comportamento considerado por muitos como patético. Ele disse no tribunal que o dinheiro escondido no exterior era destinado a financiar a corrente política de um ex-primeiro-ministro socialista, Michel Rocard, falecido em julho deste ano. A alegação foi rebatida pela acusação, pois o ex-premiê morto não tinha como se defender.