rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Meio Ambiente
rss itunes

Pinheiros de Natal naturais limitam impacto no meio-ambiente

Por Taíssa Stivanin

Às vésperas do Natal, os produtores de pinheiros na França correm para atender os clientes que buscam uma árvore natural para decorar a casa. Em 2015, 22% dos franceses adquiriram um pinheiro de verdade, o que representa um volume de vendas de € 140 milhões por ano. A prefeitura de Paris criou um programa de reciclagem para transformá-los em adubos para seus parques.

O pinheiro de verdade é de fato mais ecológico do que o artificial, apesar da logística que envolve a plantação e o transporte? A resposta é sim. "Em termos ecológicos, é preciso comprar um pinheiro clássico, e não árvores cobertas de flocos brancos, imitando a neve, que não podem ser recicladas. Esses pinheiros não são ecológicos.  Bonitos, talvez, mas pouco ecológicos", explica a secretária do Meio-Ambiente em Paris, Penélope Komite.

Na França, os pinheiros são cultivados principalmente na região da Borgonha, no centro-oeste do país. Algumas associações denunciam o uso de pesticidas como o diazionon nas plantações, perigoso para aves, animais e seres humanos, mas isso seria um fato raro segundo a representante de Paris. Nos testes realizados nas árvores recolhidas pela prefeitura para avaliar a presença de produtos químicos, nada apareceu, afirma.

A plantação também contribui para diminuir o efeito de gases poluentes que provocam o efeito estufa. Além disso, os pinheiros de Natal, depois das festas, podem ser reciclados e utilizados de maneira biodegradável.

Esta é a iniciativa, por exemplo, da prefeitura de Paris, que criou mais de 150 pontos de coleta nos jardins e parques da cidade. Recolhidos, eles são triturados, transformados em adubo e reaproveitados nos espaços verdes da capital francesa, como explica Penélope Kermite, que também é ex-diretora do Greenpeace na França.

Em 2015, mais de 70 mil pinheiros foram coletados e a expectativa esse ano é que quase 100 mil árvores sejam recicladas. Só no ano passado, foram produzidos 1200 m3 de adubo. "Isso ajuda na gestão dos parques e jardins porque não utilizamos produtos fitossanitários. Por isso propomos aos parisienses, em vez de deixar o pinheiro na rua, trazê-lo em um dos pontos de coleta. Senão eles podem ser recolhidos e incinerados, o que é uma pena".

Solução sustentável

Uma start up parisiense também encontrou uma solução sustentável para os pinheiros. As árvores, com nome e sobrenome, são alugadas durante o período de Natal e recuperadas pela empresa em janeiro. Criada em 2012 por três jovens da capital francesa, a empresa Treez Mas seduziu muitos parisienses.

Neste ano, cerca de dois mil pinheiros vão ganhar uma casa nova. Loïc Cesson, um dos criadores da empresa, conta que as árvores são plantadas novamente na floresta. Segundo ele, 50% dos pinheiros retornam em “bom estado”. Ele também afirma que os produtores utilizam apenas fertilizantes naturais nas árvores.

“Não temos pretensões ecológicas, temos uma iniciativa responsável e nos comprometemos a recuperar os pinheiros dos clientes, vivos, para que não sejam abandonados na rua e virem lixo. Depois eles são reciclados. É uma escolha responsável, que custa para a gente, porque poderíamos ter uma margem de lucro maior. Mas é um compromisso da empresa” diz. Um processo que, no fim, diminui o impacto ecológico e a avaliação de carbono, reduzida.

Personalização

O aluguel do pinheiro também ajuda na educação ecológica. Os clientes que adotam o pinheiro no período das festas se comprometem a cuidar da planta, que tem nome: Arthur, Victor, Léon, Camille…"É um pinheiro que tem uma história e uma idade, e isso possibilita e isso ajuda as pessoas a cuidarem da planta e ter uma empatia por ela”, conclui Loïc.
 

Franceses são obrigados a cortar milhares de árvores para instalação de fibra ótica

Estudantes franceses propõem canudos de amido de milho como alternativa ao plástico

Cidadãos franceses contribuem como observadores para pesquisas sobre preservação das espécies

Geladeira solidária, mercado de produtos “feios”: novas armas contra o desperdício

Animais silvestres são vendidos facilmente pela internet a clientes europeus

Descoberta de “corais da Amazônia” na Guiana Francesa amplia pressão contra projeto da Total

Passeio de balão em Paris alia turismo e consciência sobre a poluição

Aldeias pré-coloniais indicam maior ocupação da Amazônia antes do descobrimento