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Christine Lagarde Processo Tribunal

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Procurador não vê provas em caso de negligência contra Christine Lagarde

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Christine Lagarde, diante da Corte de Justiça da República (12/12/16). REUTERS/Charles Platiau

O procurador geral francês Jean-Claude Marin considerou nesta quinta-feira (15) que as condições para condenar a diretora do FMI, Christine Lagarde, por suposta negligência que provocou um importante desvio de dinheiro público quando era ministra da Economia "não estavam reunidas".


"As audiências não trouxeram as provas para corroborar uma acusação muito frágil", afirmou o representante do Ministério Público diante da Corte de Justiça da República (CJR), um tribunal excepcional encarregado de julgar crimes e delitos cometidos por membros do governo no exercício de suas funções.

Lagarde é acusada de "negligência" em uma arbitragem que levou ao desvio de recursos públicos de um organismo sob sua responsabilidade, quando ela ocupava a pasta da Economia na presidência de Nicolas Sarkozy (2007-2012).

Diário vê "negligências graves"

O jornal Le Parisien reconstituiu o caso na segunda-feira (12), quando o processo foi iniciado. Em 2007-2008, Lagarde ratificou uma decisão que resultou no pagamento de uma indenização de € 403 milhões ao empresário Bernard Tapie. Durante quase vinte anos, ele havia movido uma ação contra o banco Crédit Lyonnais, controlado pelo Estado, acusando a instituição financeira de tê-lo prejudicado na operação de venda da Adidas, que pertenceu ao seu grupo empresarial.

A arbitragem de Lagarde, conforme avaliaram os magistrados que instruíram o caso na Corte de Justiça da República, foi, no entanto, marcada por uma série de "negligências graves", segundo o Le Parisien. A decisão foi anulada posteriormente, por meio de um recurso apresentado no governo de François Hollande.

O suposto desvio de dinheiro público teria favorecido outros membros da administração Sarkozy, como o ex-chefe de gabinete de Lagarde, Stéphane Richard, que também responde a um processo judicial.

Lagarde pode ser condenada a um ano de prisão

O delito de “negligência” que possa ter permitido um desvio de fundos públicos, por uma pessoa “depositária de autoridade pública”, é passível de até um ano de prisão e €15 mil de multa.

Desde sua criação, em 1993, a Corte de Justiça da República já julgou seis ministros. A metade deles foi inocentada e outros três foram condenados. O tribunal não revê suas sentenças. Caso haja condenação, o acusado deve apresentar recurso à Corte de Cassação. A decisão deve ser anunciada na segunda-feira (19).