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Cientistas franceses descobrem nova molécula que pode tratar mal de Alzheimer

Por Taíssa Stivanin

Um estudo divulgado no final do ano por duas equipes de pesquisadores do Inserm, o Instituto de Saúde e Pesquisa Médica da França, traz uma nova esperança para os pacientes que sofrem de Mal de Alzheimer.

A nova molécula que pode revolucionar a vida dos pacientes se chama Interleucina 2, uma proteína do sistema imunológico que ativa a proliferação dos linfócitos reguladores, que controlam a resposta do organismo a uma inflamação. Essas células evitam que cérebro se intoxique e adoeça, permitindo ao mal que se desenvolva, matando aos poucos os neurônios.

Usada em pequenas doses, administradas por injeções, como no caso da insulina, a Interleucina 2 regula a resposta inflamatória da doença de Alzheimer e de outros males, atuando como um modulador, diz a diretora de pesquisa do Instituto, Nathalie Cartier-Lacave.

“Dadas em doses bem baixas, em diferentes tipos de doenças inflamatórias, por exemplo, como a poliartrite, o diabetes, a esclerose múltipla, temos um efeito benéfico nos pacientes”. A imunoterapia, explica, poderia interromper o processo de degeneração cerebral observado no Mal de Alzheimer, principalmente se for detectado no início. Desta forma, o tratamento poderia preservar os neurônios e ajudar o sistema imunológico a encontrar um equilíbrio.

O diagnóstico precoce, entretanto, é um desafio: clinicamente, as placas no cérebro são visíveis apenas em um estágio avançado da doença. A doença atinge cerca de 850 mil pessoas no país e a estimativa é que, em 2020, 1 a cada 4 pessoas de mais de 65 anos seja diagnosticada com o Mal. Segundo a OMS , 135 milhões terão a doença –atualmente já são 47 milhões.

A doença de Alzheimer tem um componente inflamatório importante, como já foi observado no cérebro de alguns pacientes, diz a pesquisadora, que já desenvolveu diversas terapias para a doença. Ela e o cientista David Klapzman, chefe do serviço de bioterapia do hospital Pitié Salpetrière, que durante muito tempo trabalhou com os linfócitos reguladores e a Interleucina, tentam agora achar pistas para controlar a dose exata da substância a ser administrada.

Testes em humanos

A pesquisa levou dois anos para ser terminada e foi feita por uma equipe multidisciplinar. Os testes realizados em ratos, explica a cientista, foram conclusivos.

“Nossas equipes são complementares. Trabalho há muito tempo com doença de Alzheimer, utilizando o modelo testado nos ratos. Tenho uma equipe, por exemplo, que sabe muito bem analisar o comportamento de camundongos que sofrem do Mal de Alzheimer para avaliar os problemas de memória. Tudo isso é importante para obter a prova da eficácia da molécula”.

O desafio, explica Nathalie, é adaptar os testes feitos nos camundongos nos humanos, que possuem um sistema orgânico bem mais complexo. A vantagem da Interleucina 2, diz, é que já está sendo testada em outras doenças, e já se sabe que é pouco tóxica e bem tolerada. “Então não teremos muitas dificuldades para obter autorização de testes em humanos”, declara.

Componente genético

Como uma boa parte das doenças autoimunes, os pacientes que desenvolvem o Alzheimer têm uma predisposição genética. Os doentes, explica a pesquisadora, têm um sistema imunológico que funciona de uma maneira diferente. Mas essa tendência não é determinante: depende dos estímulos recebidos por esse sistema ao longo da vida, como as infecções virais. E, contrariamente ao que muita gente pensa, a doença não é detectada apenas em idosos. Na França, por exemplo, 30 mil pessoas diagnosticadas têm menos de 60 anos.
 

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