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Paris França FMI Bomba Ataques Atentado Grécia Anarquistas

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Grupo anarquista grego teria enviado carta-bomba ao FMI, em Paris

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Soldados franceses isolam a frente da sede do FMI, em Paris, em 16 de março de 2017. REUTERS/Christian Hartmann

O grupo anarquista grego Conspiracy of Fire Nuclei seria "provavelmente” o autor do envio da carta-bomba que explodiu nesta quinta-feira (16) na sede do FMI em Paris, causando um ferido, segundo a polícia grega.


Segundo a polícia grega, o vice-ministro grego de Proteção Civil, Nikos Toskas, foi informado pelas autoridades francesas de que o pacote enviado ao FMI teria sido despachado de Atenas, assim como o pacote enviado na quarta-feira (15) enviado ao gabinete do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, que continha uma "mistura explosiva", de acordo com as autoridades alemãs.

Esta primeira remessa foi reivindicada nesta quinta-feira (16) pela Conspiracy of Fire Nuclei, grupo anarquista grego que surgiu em 2008. Mais de dez membros do grupo cumprem sentenças pesadas, desde sua prisão em 2011.

A explosão da carta-bomba na sede do FMI "feriu ligeiramente" o secretário no escritório, de acordo com a sede da polícia em Paris. O presidente francês François Hollande descreveu o ato como um "ataque" e confirmou a extensão do estado de emergência do país "até 15 de julho". Christine Lagarde, diretora do FMI, condenou um "ato de covarde de violência".

Nikos Toskas declarou à televisão grega que ele havia sido informado pela polícia francesa de que o pacote enviado ao FMI "continha uma pequena quantidade de pó". Poucas horas antes, o prefeito de polícia de Paris, Michel Cadot, indicou que a explosão havia sido causada por um dispositivo pirotécnico "relativamente artesanal" que causou "danos limitados no escritório".

Toskas afirmou que o pacote "tinha um endereço de remetente falso, o de Nikos Kikilias", deputado e porta-voz do partido de oposição grego New Democracy, cujo envolvimento foi excluído. Na quarta-feira (15), o pacote enviado ao ministério alemão também possuía um endereço falso, o de um deputado da oposição da direita grega, Adonis Georgiadis, cujo envolvimento também foi descartado. A polícia grega disse estar "em estreita colaboração" com as autoridades francesas e alemãs no caso.

Plano “Nemesis” contra o “poder”

Em um comunicado publicado em um site anarquista, o grupo afirma ter enviado o pacote "ao ministro das Finanças alemão" como parte de um plano "Nemesis" destinado a minar o "sistema de poder".

A Alemanha e, em particular, seu ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, além do FMI, são frequentemente responsabilizados pela opinião pública grega como o principal responsável pela imposição de medidas de austeridade no país desde o início da crise, em 2010.

O governo grego luta atualmente para concluir um acordo sobre as reformas exigidas pelos seus credores, a União Europeia e o FMI, condição essencial para a continuidade do pagamento de empréstimos internacionais ao país, que se encontra endividado.

O grupo Conspiracy of Fire Nuclei colocou a Europa em alerta em 2010, após o envio de uma série de pacotes destinados à chancelaria alemã e aos líderes europeus Silvio Berlusconi, Angela Merkel e José Emmanuel Barroso, então Presidente da Comissão Europeia.