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França Eleição presidencial francesa Jean-Luc Mélenchon

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Candidato da esquerda radical quer aumentar comércio entre França e Brasil

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O candidato da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, durante comício em Toulouse, no sudoeste da França neste domingo (16). REUTERS/Regis Duvignau

O candidato da esquerda radical à presidência, Jean-Luc Mélenchon, realizou um emocionado comício neste domingo (16) em Toulouse, no sudoeste da França. Para 70 mil pessoas, o discurso do líder progressista se concentrou em liberdade, mas também citou a intenção de aumentar as trocas comerciais entre a França e o Brasil.


Daniella Franco, enviada especial da RFI a Toulouse

“A maior fronteira da França não é com a Alemanha, é com o Brasil”, declarou Mélenchon, fazendo referência aos 730 quilômetros de fronteira entre a Guiana Francesa e o Estado do Amapá. O candidato da esquerda radical prometeu, se for eleito, trabalhar para aumentar as trocas comerciais entre a França e o Brasil. As possibilidades aumentaram, segundo dele, depois da construção da ponte sobre o rio Oiapoque, inaugurada no final de março.

No parque Prairie des Filtres, lotado para o penúltimo comício do candidato progressista antes do primeiro turno da eleição, no próximo domingo (23), o discurso de Mélenchon se concentrou na liberdade: individual, das mulheres, da imprensa, dos mercados. O líder lembrou que a ONG Anistia Internacional classificou seu programa como o que mais prioriza a liberdade, entre todos os candidatos à presidência.

Em um discurso ultraprogressista, Mélenchon também defendeu o direito das mulheres ao aborto, a saída da França da OTAN (Organização do Tratado dos Países do Atlântico Norte), a revisão dos tratados de livre comércio na União Europeia, prometeu a manutenção de um Estado laico, educação gratuita a todos os franceses e cancelar a reforma trabalhista adotada pelo governo do presidente François Hollande.

O estudante de Direito Thibault Deverge, de 21 anos (centro), com amigos no comício de Mélenchon em Toulouse neste domingo (16). Daniella Franco/RFI

O líder da "França Insubmissa" não deixou de alfinetar sua principal rival, a candidata da extrema-direita Marine Le Pen, e o republicano François Fillon. Ambos foram extremamente vaiados pelo público, atitude que foi repreendida por Mélenchon. “Não vamos vaiá-los. As pessoas têm direito de votar neles. Isso se chama liberdade, isso se chama democracia”, afirmou.

O candidato da esquerda radical, intensamente criticado por seus opositores nas últimas semanas ao protagonizar um fulgurante crescimento na campanha, também fez um apelo a seus eleitores para não responder às provocações e manter a calma na última semana antes do primeiro turno da eleição. “Ou, se quiserem responder, utilizem sempre o bom humor. Não há melhor forma de enfrentarmos nossos adversários”, declarou, arrancando risadas do público.

O carisma é a assinatura de Mélenchon. Com o dom da oratória, aliado a um perfil bem-humorado e sincero, ele atrai a simpatia dos eleitores. Não por acaso, foi com seu bom desempenho nos debates na televisão francesa que o candidato da esquerda radical conseguiu abocanhar intenções de voto e subir nas pesquisas.

O enfermeiro aposentado, Alain Daudin, foi ao comício de Jean-Luc Mélenchon em Toulouse com a esposa, Dominique Daudin. Daniella Franco/RFI

Quem são os eleitores de Mélenchon

É exatamente o perfil de Mélenchon que agrada o estudante de Direito Thibault Deverge, de 21 anos. “Não estou preocupado em votar em um candidato porque ele é de esquerda ou de direita. Para mim, o que interessa é que me identifico com a personalidade de Mélenchon e seu programa”, salienta.

O enfermeiro aposentado Alain Daudin, de 62 anos, compartilha a mesma opinião. Segundo ele, algumas das propostas de Mélenchon são utópicas, “mas sem utopia não podemos viver”, avalia. “Ele nos traz esperança ao nos falar das injustiças. Não é o mundo que é pobre, é o dinheiro que é mal distribuído. Não podemos aceitar que haja cada vez mais pobres no planeta, enquanto os ricos acumulam cada vez mais dinheiro. E Mélenchon tem propostas que vão contra essa dinâmica que são interessantes”, diz.

Já a empregada doméstica Catherine Delpech, de 57 anos, diz que o que mais a atrai no candidato da esquerda radical é o “discurso da felicidade”. “Com Mélenchon, teremos saúde de qualidade, escola pública gratuita para todos, a união dos franceses por uma França insubmissa, que vai lutar por seus direitos, e isso vai nos trazer felicidade”, afirma. Delpech diz sentir medo das propostas de Marine Le Pen e François Fillon. “Se Mélenchon não tivesse se candidatado, acho que eu cairia em uma depressão”, brinca.

A empregada doméstica Catherine Delpech (centro), foi apoiar Jean-Luc Mélenchon com amigos. Daniella Franco/RFI

O engenheiro de aeronáutica franco-alemão Jamel Jelassi, de 37 anos, estava no parque Prairie des Filtres com a filha de 8 anos, “porque é o futuro dela que está em jogo e acredito que é importante que ela se interesse por política”. Há um ano, ele deixou a Alemanha para vir morar em Toulouse e vai votar na França pela primeira vez. “Mélenchon representa os valores atuais da França, é honesto e tem ótimas ideias sobre a política estrangeira, como sair da Otan e fazer menos guerras.”

Em comum entre todos os eleitores, o tom de otimismo e a esperança que Mélenchon possa chegar ao segundo turno. Um sentimento reforçado pelo próprio candidato em uma entrevista ao jornal Le Parisien deste domingo e durante o comício em Toulouse: “Estou pronto para governar”, garante o líder da esquerda radical.