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Conflito na Guiana francesa completa um mês com satélite brasileiro bloqueado

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O acesso ao centro espacial de Kourou, de onde é lançado o foguete Ariane com o satélite brasileiro, continua bloqueada. jody amiet / AFP

 Essa segunda-feira (17) marcou um mês do início do conflito social que paralisou a Guiana Francesa. Após um fim de semana de trégua, o movimento, que impediu o lançamento do primeiro satélite geoestacionário brasileiro de uso civil e militar, continua bloqueando as principais atividades no território francês, que faz fronteira com o Brasil.


O coletivo "Pou la Gwiyann dékolé", que coordena o movimento social e lançou uma greve geral em março, se reúne nesta segunda-feira na capital Caiena para decidir o futuro da mobilização. Algumas divergências já foram sentidas entre os manifestantes, com grupos que pedem que as estradas sejam desbloqueadas para que a economia do país seja retomada. Segundo as autoridades locais, 500 empresas da Guiana já preveem férias coletivas forçadas por causa do movimento.

Porém, mesmo se as primeiras divisões começam a despontar, os líderes do protesto já avisaram que não pretendem liberar a estrada que dá acesso ao centro espacial de Kourou. Segundo Mikael Mancée, porta-voz do movimento, o cruzamento usado para chegar até a base de onde é lançado o foguete Ariane 5, vitrine econômica do território francês, vai permanecer fechada. A nave deveria ter decolado em 21 de março transportando o satélite geoestacionário brasileiro de defesa e comunicações estratégicas.

Além de bloquear o projeto esperado há anos pelo Brasil, a mobilização já acumula prejuízo para a Arianespace, empresa francesa encarregada dos projetos espaciais em Kourou. A direção da entidade informou que o adiamento dos três lançamentos, provocado pelos protestos, já gerou “milhões de euros de custo suplementar” e teme pelos cerca de 9 mil empregos que dependem de Arianespace.

Os manifestantes alegam que a Guiana, que faz parte da França, não é tratada como o restante do país. Uma em cada quatro famílias do território vive abaixo da linha da pobreza e o índice de desemprego atinge 22%, contra 9,7% na chamada França metropolitana.