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Desistência de Hollande é um dos fatos marcantes da campanha eleitoral francesa

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O presidente da França, François Hollande, no Palácio do Eliseu, em Paris, em 11 de abril de 2017. REUTERS/Philippe Wojazer

A reta final da campanha eleitoral francesa ocupa as manchetes e várias páginas dos jornais do país nesta quinta-feira (20).


O diário econômico Les Echos listou 12 momentos considerados importantes de uma campanha que considera atípica, repleta de reviravoltas e cheia de suspense até o último minuto.

Basta voltar um ano no tempo para se dar conta de como a atual campanha transformou a paisagem política francesa, sugere a reportagem. Na mesma época, em 2016, o ex-presidente Nicolas Sarkozy e o ex-primeiro ministro Alain Juppé eram os favoritos da direita, mas foi François Fillon quem venceu a eleição primária e se tornou candidato do partido Os Republicanos ao Palácio do Eliseu. Sua candidatura pode ser a primeira na chamada Quinta República francesa, instaurada em 1958, a não passar ao segundo turno, diz o texto.

Em relação aos socialistas, é a primeira vez desde 1969 que o candidato Benoît Hamon não representa mais um voto útil à esquerda, diz o texto.

Entre os 12 fatos marcantes da campanha, segundo Les Echos, estão a emergência do movimento "Em Marcha", do candidato Emmanuel Macron, a desistência do presidente François Hollande de concorrer à reeleição - fato inédito na história política recente da França -, os hologramas usados pelo candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon em seus comícios, a polêmica de Marine Le Pen sobre a responsabilidade da França na deportação de judeus durante a Segunda Guerra Mundial e o primeiro debate na televisão entre os 11 candidatos à eleição.

Disputa pelo voto dos “esquecidos”

Libération destaca a disputa entre os candidatos da extrema-direita, Marine Le Pen, e da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, pelo voto da classe operária, considerada "esquecida" durante a campanha. A Frente Nacional de Le Pen se apresenta como a legítima representante da classe trabalhadora industrial. Em 2012, na eleição anterior, 33% dos operários franceses votaram no partido da extrema-direita, e este ano ela pode ainda ter um desempenho melhor.

Apesar de ter a preferência do eleitor operário, que se sente prejudicado pela globalização, a Frente Nacional ganhou a concorrência de Mélenchon, que também se apresenta como um candidato fora do tradicional sistema político e precisa do voto da classe operária para tentar chegar ao segundo turno, diz Libération.

Le Figaro traz uma entrevista exclusiva com o candidato de direita, François Fillon. Ele está convicto que chegará ao segundo turno e denuncia o caráter opaco do programa de seu rival na corrida eleitoral, Emmanuel Macron, até mesmo na luta contra o terrorismo.

Na entrevista, Fillon insiste ser o único a conseguir uma maioria na Assembleia francesa para governar o país com tranquilidade. Ao analisar o perfil dos eleitores de Fillon, Le Figaro constata que os franceses de mais de 65 anos constituem a base mais sólida do candidato conservador.

Campanha sob ameaça terrorista

Le Parisien volta em sua manchete à questão da segurança na campanha eleitoral, ao lembrar em detalhes a investigação e a operação que levou a polícia francesa a prender dois suspeitos de planejarem um atentado terrorista antes da votação de domingo. Há vários meses Mahiedine Merabet, de 29 anos, e Clément Baur, de 23 anos, estavam na mira dos policiais.

Eles se conheceram e se radicalizaram em uma prisão no norte do país quando cumpria pena por delitos relacionados a drogas e ao uso de documentos falsos. A operação que evitou o projeto de atentado revela o quanto a França continua sob ameaça terrorista. Os eleitores vão às urnas sob forte proteção da polícia e dos militares. A eleição presidencial, momento decisivo da vida democrática do país, é um dos principais alvos do terrorismo islâmico, lembra Le Parisien.