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Peter Wohlleben: autor de best-seller diz à RFI que "as árvores têm emoções"

Por Danielle Legras

“A vida secreta das árvores: O que elas sentem e como se comunicam”, best-seller alemão traduzido em 32 línguas, tem estimulado a imaginação de milhares de leitores ao descrever com graça e precisão aspectos desconhecidos da comunidade das árvores. Segundo o autor do livro, o guarda florestal alemão Peter Wohlleben, elas se comunicam, possuem um comportamento solidário e tem personalidade própria.

Inicialmente publicado em 2016, “A vida secreta das árvores” tornou-se rapidamente um best-seller da lista Spiegel (do jornal alemão Der Spiegel), com quase um milhão de exemplares vendidos. É incontestável que a floresta, enquanto entidade viva e misteriosa, desempenha um papel importante no imaginário germânico desde o romantismo alemão - que defendia um reencantamento do mundo e considerava a natureza como a esfera ideal para a introspecção - até as diversas fábulas publicadas pelos irmãos Grimm. Quanto ao público francês que possui suas próprias especificidades, o encantamento com o livro tem sido similar, “A vida secreta das árvores” faz parte da lista dos ensaios mais vendidos, desde sua publicação no mês de março.

O sucesso, estrondoso e inesperado, impressionou até mesmo o jornal americano Washington Post, que garante aos seus leitores que um passeio na floresta não será o mesmo depois da leitura do livro. No Brasil ele foi publicado pela editora Pergaminho

O grande mérito de “A vida secreta das árvores” é sua abordagem antropomórfica, cujo objetivo é de mostrar aos leigos a engenhosa organização das florestas (há muito tempo conhecida dos biólogos).

Segundo Peter Wohlleben, as árvores não são destinadas simplesmente a produzir madeira e oxigênio. Elas comunicam entre si (enviando sinais elétricos através de uma rede subterrânea de fungos), possuem sensibilidade, sentimentos e memória. Através de um sistema de troca de nutrientes, elas cuidam não só de seus familiares como também dos seus vizinhos doentes, velhos ou órfãos.

“Se você cortar uma árvore que esteja ao lado de outra árvore, a que não foi cortada morrerá dentro dos próximos anos. É como um velho casal, aquela que fica reage como se não houvesse mais sentido de continuar vivendo”, ressalta.

Wood-Wide Web

Um dos capítulos do livro conta que existe um entrelaçado de raízes abaixo da superfície da floresta, que funciona como uma rede de comunicação extremamente sofisticada, conhecida como a “internet da floresta”. São quilômetros de filamentos que ligam as árvores entre si, permitindo a troca de informações, de nutrientes e de conexões químicas.

Quando uma árvore é atacada por insetos, ela sente dor e lança sinais elétricos que se espalham, preparando suas vizinhas a um ataque iminente. Transmissões de informações dessa natureza podem ser enviadas em diferentes velocidades. Alguns sinais elétricos são enviados em um centímetro por segundo – o que é rápido para uma árvore – mas às vezes não é veloz o suficiente. Nesse caso, emitem substâncias químicas no ar e essas informações serão levadas mais rapidamente pelo vento.

Peter Wohlleben constata que nós nos limitamos ao que é visível, mas isso é apenas a “ponta do iceberg”, já que elas são seres complexos munidos, inclusive, de emoções. “Nós não podemos medir a intensidade das emoções, mas podemos verificá-las cientificamente”.

O guarda florestal comenta um outro aspecto surpreendente referente à personalidade das árvores: “Às vezes pensamos nas espécies como se elas fossem idênticas, só que elas têm temperamentos diferentes.”

O autor explica que existem árvores mais temerosas que vão perder suas folhas mais cedo com o intuito de se proteger contra os perigos das primeiras neves - quando os galhos podem quebrar mais facilmente se ainda tiverem folhas.

Quanto à memória que os cientistas atribuem às arvores, Peter Wohlleben afirma que elas realmente podem mudar de comportamento ao longo de sua existência. Ele cita um exemplo relativo à onda de calor excessiva que a Europa viveu em 2003. “O calor e a seca foram tão traumáticos para as árvores que elas mudaram a maneira de gerenciar o consumo de água nos anos seguintes” conclui.

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