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França Marine Le Pen Emmanuel Macron Eleição Presidente

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Macron era "aluno exemplar", e Le Pen, "estudante medíocre e festeira", diz jornal

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Le Pen e Macron na época da universidade AFP

Vitoriosos do primeiro turno da eleição francesa, os candidatos Emmanuel Macron (centro) e Marine Le Pen (extrema-direita) já demonstravam suas diferenças desde a época da escola. O jornal francês Le Figaro publicou uma reportagem sobre a vida de estudante dos aspirantes ao Palácio do Élysée , sede da presidência da República.


Macron, primeiro colocado no primeiro turno com 23,8% dos votos, é descrito como um aluno brilhante com um percurso exemplar. Já Marine Le Pen (21,4%), candidata do partido populista e xenófobo Frente Nacional, era “uma estudante medíocre e festeira”.

“Macron cresceu sendo mimado por seus pais, Françoise et Jean-Michel Macron, ambos médicos”, escreve o jornal. “Mas ele consagra um culto particular à sua avó materna, Germaine Noguès, apelidada Manette, que o ensina gramática e sobre os grandes autores (Molière, Racine), como conta Anne Fulda na biografia ‘Emmanuel Macron, Um Jovem Homem Perfeito’. Ele se dedica bastante ao aprendizado do piano, que ele pratica durante 10 anos no Conservatório de Amiens (sua cidade-natal, no norte da França).”

Após cursar o ensino básico em uma escola pública, ele faz o ensino médio no colégio católico La Providence, ainda em Amiens, por sugestão da sua avó. “Nesse estabelecimento apreciado pela burguesia da região, ele impressiona os professores”, diz o Le Figaro.

Foi lá que ele conheceu a sua atual mulher, Brigitte Trogneux, que era sua professora de francês e também dava aulas de teatro, frequentadas assiduamente por Macron. “Na sala ele escrevia poemas o tempo todo, que ele lia para todos”, lembra um ex-colega em entrevista à rádio Europe 1. Ele ganha um concurso de língua francesa.

Macron, então, se muda para Paris, onde se matricula no colégio Henri IV.  Ele se forma no ensino médio com notas altas. Mas é reprovado duas vezes no vestibular para entrar estudar letras e ciências sociais na Escola Normal Superior. Segundo o jornal, o motivo do fracasso seria a paixão por Brigitte. Porém, ele é aprovado em filosofia na universidade Paris-Nanterre.

Apaixonado pelo tema, ele foi assistente editorial do filósofo Paul Ricoeur para a obra "La Mémoire, L’histoire, L’oubli" (a memória, a história, o esquecimento). Depois ele ingressa no Instituto de Estudos Políticos de Paris, onde se forma em 2001. Ele cursa em seguida a Escola Nacional de Administração, em Estrasburgo, e faz um estágio na embaixada francesa na Nigéria.

Le Pen, a medíocre

À primeira vista, o percurso escolar de Marine Le Pen parece irrepreensível. Ele foi aluna do colégio público Florent-Schmitt (atualmente Alexandre-Dumas) de Saint-Cloud, antes de cursar direito na prestigiosa universidade Paris II-Assas. Ela se forma em 1990 e, depois, faz uma pós-graduação em direito penal.

É nessa universidade que ela fica sob tutela de Jean-Claude Martinez, professor de direito e conselheiro do seu pai, Jean-Marie Le Pen, fundador da Frente Nacional e ele mesmo candidato no segundo turno da eleição presidencial francesa de 2002, quando perdeu para Jacques Chirac (direita).

"No primeiro e no segundo anos, ela vinha fazer os deveres na minha sala na Assembleia Nacional", lembra Martinez, que qualifica Le Pen de "estudante muito medíocre e festeira”, no livro "A Verdadeira Marine Le Pen" (Plon, 2017), do jornalista Renaud Dély.

Aos 20 anos, Le Pen aproveita a vida. Na biografia não-autorizada “A Juventude Escondida de Marine Le Pen” (La Tengo, 2017), os jornalistas David Doucet et Mathieu Dejean revelam que ela é "rata de boate", principalmente da Les Bains Douches, onde ela "adora se pavonear no meio das celebridades”, como conta Marie d’Herbais, uma de suas melhores amigas da época.

“Le Pen sai muito, fuma muito e vai muito frequentemente ao Palace ou ao Keur Samba, o 'melhor clube afro de Paris', onde ela dança zouk. Na época, seu enjamento político ainda é muito discreto", diz a publicação.

Em 1992, depois de ter cursado a Escola de Formação Profissional dos Advogados do Tribunal de Apelação Paris, ele obtém a licença para trabalhar como advogada. Ela começa sua carreira no escritório de Georges-Paul Wagner, antigo deputado da FN de Yvelines, e realiza então a defesa de imigrantes ilegais, uma ironia para quem angaria votos culpando os estrangeiros pelos problemas do país.