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Meio Ambiente
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Falta de engajamento no programa ambiental de Macron desagrada Ongs francesas

Por Daniella Franco

Praticamente ignoradas durante a campanha presidencial, as questões relacionadas ao meio ambiente voltaram à tona com a eleição de Emmanuel Macron como o novo presidente da França. Ongs ambientalistas, até então deixadas de lado pelos candidatos, começam a mobilização para pressionar o novo chefe de Estado.

No programa de Macron, as propostas para a transição energética e para seguir as resoluções estabelecidas pelo Acordo do Clima de Paris são apontadas como prioridades. O novo presidente também promete o fechamento da usina nuclear de Fessenheim, dobrar a produção de energia eólica e nuclear até 2022, uma ajuda de € 1 mil para que os franceses adquiram veículos ecológicos, reforço do isolamento térmico das residências modestas e 50% de produtos orgânicos nas cantinas das escolas. Mas, até o momento, há poucas informações sobre como o Macron pretende colocar suas promessas em prática.

Outro ponto em comum nas críticas dos ambientalistas é a falta de inovação das propostas do novo presidente. "Consideramos que Macron tem ideias interessantes mas, globalmente, seu programa se baseia na continuidade do governo Hollande. Por exemplo, para pararmos de utilizar a energia nuclear, Macron propõe reduzir em 50% a utilização desta matriz até 2025. Ele também propõe fechar todas as centrais de carvão até 2023. Mas tudo isso já estava previsto na lei de transição energética de Hollande", lembra o responsável pelos programas da Ong France Nature Environnement, Jean-Baptiste Poncelet.

Acelerar os esforços pela transição energética

A Ong Réseau Action Climat France, rede de organizações especializadas na questão das mudanças climáticas, vai mais longe nas críticas e é categórica ao afirmar que o programa de Macron para o Meio Ambiente é insuficiente. "Compreendemos que Emmanuel Macron comece dando pequenos passos sobre a questão da transição energética. Mas o problema é que sabemos hoje que é necessário acelerar os esforços contra a utilização das energias fósseis, que são responsáveis pelas mudanças climáticas. E o que Macron propõe até agora é muito fraco.

Para a ambientalista, é necessário que o novo chefe de Estado se imponha e coloque as questões relacionadas ao meio ambiente na agenda do governo. "Em um contexto em que Donald Trump quer reiniciar a extração de petróleo no Ártico, que os Estados Unidos sondam em deixar o Acordo de Paris sobre o Clima e os céticos das mudanças climáticas se fazem ouvir, é preciso que, como líder, Macron tome as rédeas e agilize a proibição total da extração do petróleo e do gás no território francês", diz Célia Gautier.

A ambientalista ressalta que, além de insuficiente, o programa de Macron é contraditório ao apoiar o Acordo de Paris Sobre o Clima e o apoio ao tratado de livre comércio entre a União Europeia e o Canadá, o CETA. "É impossível colocar em prática, ao mesmo tempo, o Acordo de Paris Sobre o Clima e o Ceta, que é um tratado anti-ecológico, que aumentará a emissão de gases de efeito estufa. Então, esperamos que Macron se oponha ao Ceta e que ele pressione tanto a França como a Europa a uma nova prática de comércio internacional para que esse setor leve em consideração questões sociais e ambientais", avalia Célia Gautier.

Prioridade ao Acordo sobre o Clima é saudada

Mas nem tudo são críticas. Recentemente, Macron publicou nas redes sociais um vídeo em que convida pesquisadores americanos a virem trabalhar contra o aquecimento global na França, diante do ceticismo do presidente americano Donald Trump sobre a questão. A atitude do novo presidente é elogiada por Poncelet: "O fato de que Macron quer fazer da aplicação do Acordo de Paris sobre o Clima uma de suas prioridades e que ele convide os países e pesquisadores americanos a avançarem sobre esta questão é algo muito positivo".

O ambientalista ressalta, entretanto, que é preciso estar atento às promessas do novo presidente, para que elas saiam do plano teórico e sejam colocadas em prática. "O que desejamos é que o Meio Ambiente esteja no coração do programa e da ação do governo. Afinal, a transição energética é realmente um modelo que vai nos permitir conciliar a vitalidade econômica - com a criação de milhares de empregos -, ao respeito ao meio ambiente", prevê Poncelet.

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