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"A cozinha brasileira ainda é um mistério aqui na França": Morena Leite, chef

Por Adriana Moysés

Dezoito anos depois de se formar na renomada escola de culinária francesa Le Cordon Bleu, a chef brasileira Morena Leite, de 32 anos, está de volta a Paris para uma estadia de seis meses de experiências gastronômicas. "Uma reciclagem", como define a dona dos restaurantes Capim Santo de São Paulo, Rio de Janeiro e Trancoso, na Bahia.

O ponto alto desta “reciclagem” profissional de Morena Leite é uma residência no Café de L'Homme, na praça do Trocadero, um dos terraços mais concorridos da capital francesa, com sua vista espetacular para a Torre Eiffel. “Estou muito feliz em fazer um cardápio com uma moqueca, uma farofinha de banana, um ‘petit gateau’ de goiaba, acho que é uma grande oportunidade de mostrar nossa brasilidade”, diz Morena, ressaltando que teve vontade de voltar a Paris por achar que a França respira gastronomia. “Deu vontade também de mostrar essa cozinha tropical brasileira, a gente está num momento superimportante da nossa gastronomia no Brasil”.

De 15 de maio a 15 de setembro, duração de sua residência no Café de L’Homme, ela vai mudar mensalmente o

"Compartilhar uma ceia, uma comida, torna um grupo mais próximo"

cardápio, compondo uma sessão de petiscos, uma entrada de ravioli com tapioca, um peixe, uma carne e sobremesas diferentes.

Uma pergunta é inevitável: "Como é o olhar dos chefs franceses em relação à cozinha brasileira?”

“Em princípio eles veem a nossa cozinha de uma maneira muito curiosa, a cozinha brasileira ainda é um mistério aqui na França. Os franceses ainda nos enxergam como uma cozinha latina… já ouviram falar alguma coisa da cozinha mexicana, peruana, e acho que a cozinha brasileira ainda entra no balaio dessa tropicalidade. Vejo isso como um momento muito importante, da gente mostrar isso que a gente tem, é difícil falar do Brasil com purismos pois somos uma raça de muitas misturas, com muitas regiões”, observa a chef, que também vai dar uma aula de culinária brasileira no Cordon Bleu, lembrando que algo que identifica muito o Brasil são as frutas, as castanhas, “essa cozinha meio agridoce, picante, crocante”.

Sobre as tendências, ela acha que hoje o que se destaca é o compartilhamento, dividir diversos pratinhos onde todos se servem, “compartilhar uma ceia, uma comida, torna um grupo mais próximo”.

Entender o movimento gastronômico no mundo

"Vi que podia entender como as pessoas são através da maneira que elas comem”.

Durante essa temporada de maio a setembro, Morena Leite está trazendo mais de 15 cozinheiros que trabalham com ela no Brasil, para participar desta troca nos seis restaurantes Capim Santo, de sua propriedade.

Este ano de 2017, para a dinâmica chef brasileira, rima com renovação. Ela está igualmente dedicada a pesquisas gastronômicas, percorrendo o mundo para selecionar os 50 melhores restaurantes, já tendo viajado pela Índia, Áustria, Itália, Londres, Ásia... "O objetivo é entender todo o movimento gastronômico que acontece não só na França, mas no mundo todo", explica.

Diretora do Instituto Capim Santo, um centro de capacitação composto por cinco escolas para pessoas que não têm recursos financeiros para fazer as formações, Morena Leite afirma que sua cozinha é sempre brasileira, é sempre uma forma de demonstrar a cultura do Brasil. “Antes de pegar nas panelas, comecei a me interessar pela questão antropológica e vi que podia entender como as pessoas são através da maneira que elas comem.”

 

 

 

 

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