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Marcas de moda investem em coleções Cruzeiro, novo filão do luxo

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A maison Dior levou 800 convidados para assistir desfile nas montanhas da Califórnia REUTERS/Mario Anzuoni

Este mês de maio é marcado por várias apresentações das chamadas coleções Cruzeiro. Evento marginal há alguns anos, esses desfiles se tornaram um filão cada vez mais importante para as marcas de moda, que rivalizam em criatividade em um dos segmentos mais lucrativos do setor.


Enquanto os franceses admiravam no domingo passado a nova primeira-dama, Brigitte Macron, que entrava no Palácio do Eliseu vestindo um tailleur Louis Vuitton, a marca do grupo LVMH, líder mundial do luxo, celebrava outro evento, bem longe de Paris. Quase ao mesmo tempo, a grife, conhecida por suas bolsas e seu monograma LV, apresentava sua coleção Cruzeiro no museu Miho, no norte de Kyoto.

A escolha do local, obra-prima do arquiteto Ieoh Ming Pei – o mesmo que concebeu a Pirâmide do Louvre, diante da qual o presidente Emmanuel Macron fez seu discurso de vitória – não é fruto do acaso. Afinal, o diretor artístico da Vuitton, Nicolas Ghesquière, adora arquitetura. Prova disso, um ano mais cedo ele realizou o desfile Cruzeiro da marca no Museu de Arte Contemporânea de Niterói e, em 2015, a apresentação de uma coleção na impressionante casa de Bob e Dolores Hope, em Palm Springs.

Mas a escolha de Vuitton não é apenas estética. Como várias marcas de luxo, a grife francesa investe cada vez mais nesses desfiles intermediários, de preferência realizados em locais longínquos. Como Christian Dior, que na semana passada levou 800 convidados, entre jornalistas, clientes e celebridades, para o parque natural Upper Las Virgenes Canyon Open Space, nas montanhas de Santa Mônica, para conhecer a nova coleção.

Clientes fugiam do frio durante o inverno

Nascidas nos anos 1920, quando as marcas apresentavam peças alternativas às ricas clientes americanas ávidas de novidades para suas férias de inverno em cantos mais ensolarados do globo, as coleções Cruise (ou Croisière para os franceses) ganham cada vez mais espaço no mundo do luxo. Além de propor modelos mais fáceis de usar – e às vezes mais abordáveis – as grifes aproveitam um momento de calma no ano, entre duas temporadas, para atrair a atenção da imprensa e dos influenciadores nas das redes sociais.

Chanel, conhecida por suas encenações espetaculares, não fica atrás. Se no ano passado a marca desfilou em Havana, suas coleções “fora de temporada” já desfilaram em Cingapura, Dubai e Seul.

Mas desta vez a marca mudou um pouco sua estratégia. O diretor artístico Karl Lagerfeld decidiu apresentar a coleção Cruzeiro da Chanel em Paris. Depois dos atentados terroristas, que afastaram muitos turistas e clientes da França, a decisão pode ser interpretada como uma vontade de atrair novamente a clientela para a capital francesa. Mesmo assim, o exotismo não abandonou a passarela, pois a grife transformou o Grand Palais – onde já realiza seus desfiles o resto do ano – em uma espécie de ruína greco-romana.

Depois de desfiles em Cuba, Cingapura, Dubai e Seul, Chanel volta para Paris com sua coleção Cruzeiro. REUTERS/Gonzalo Fuentes

Um segmento lucrativo visando países emergentes

Os representantes do setor do luxo não escondem que, com a globalização, a clientela vem cada vez mais dos mercados emergentes e de regiões ensolaradas, como América Latina, sudeste asiático ou Oriente Médio. Zonas geográficas avidas dessas coleções, também chamadas de "Resort" ou "pre-spring".

Além disso, o caráter intermediário dessas criações permite às marcas deixá-las nas araras das lojas durante até oito meses, bem mais tempo que as peças primavera-verão e outono-inverno. O resultado dessa estratégia é que as coleções Cruzeiro podem representar para algumas grifes quase a metade do faturamento do ano.

Diante de um mercado cada vez mais concorrido, as marcas que vendiam peças de temporadas intermediárias discretamente também decidiram investir nos desfiles “Resort”. Prada fez sua apresentação em Milão em 7 de maio e Gucci desfila em Florença, no dia 29. E mesmo se as grifes italianas continuam em seus países de origem, os investimentos na decoração, nas modelos na passarela e na mobilização da imprensa estão bem longe das simples araras nos cantos de um showroom, como se fazia antigamente.