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Crise migratória na Europa é tema de filmes no 70° Festival de Cannes

Por Silvano Mendes

O Festival de Cinema de Cannes é conhecido por sua diversidade, entre grandes produções e filmes mais autorais, com as temáticas bem variadas. Nessa 70ª edição, uma das questões abordadas nos primeiros dias do evento foi a crise migratória na Europa.

Além da polêmica sobre Netflix, que monopolizou os primeiros dias em Cannes, essa edição do maior festival de cinema do mundo também está sendo marcado por filmes com temáticas mais políticas, como o documentário “Sea Sorrow”, da ativista britânica Vanessa Redgrave. A atriz e agora diretora trata, de maneira bastante crítica, da gestão da crise dos imigrantes na Europa.

A produção traça alguns paralelos entre a situação atual no Velho Continente e a Segunda Guerra Mundial, além de abordar a condição das crianças que atravessam o canal da Mancha clandestinamente e desembarcam na Inglaterra. “Espero que esse meu primeiro filme possa ajudar” na mobilização em favor dos refugiados, não apenas na Grã-Bretanha, mas no mundo inteiro, declarou a estrela de 80 anos, que ganhou o prêmio de melhor atriz em Cannes duas vezes na década de 1960.

Outro filme que aborda, desta vez sob forma de ficção, a questão da crise migratória é “Happy End”, do diretor austríaco Michael Haneke. A produção, que traz a atriz Isabelle Huppert no elenco, conta a história de uma família burguesa que vive ao lado de um acampamento de imigrantes, na cidade de Calais, no norte da França. O filme, que compete pela Palma de Ouro e será projetado na semana que vem, aparece como um dos favoritos em Cannes.

Já “A lua de Júpiter”, um dos filmes da mostra competitiva exibido nesta sexta-feira (19), preferiu usar uma linguagem mais poética para tratar o delicado tema. A produção húngara, do ator e diretor Kornél Mundruczó, traz às telas um imigrante sírio, que é baleado quando tenta escapar de um campo para refugiados na Hungria. Miraculosamente, seu ferimento lhe confere o poder de voar.

O filme de Mundruczó pode ser visto como metáfora sobre a gestão da crise de migratória na Hungria, país que se recusa a acolher os refugiados. Porém, apesar das boas intenções, a produção não foi muito bem recebida pela crítica.

Netflix foi vaiado

Esta sexta-feira (19) também foi marcada pelas vaias contra “Okja”. O filme do diretor sul-coreano Bong Joon-Ho faz parte, junto com "The Meyerowitz Stories", do americano Noah Baumbach, das produções do Netflix que concorrem no Festival de Cannes.

O ponto central da polêmica é o fato de que, a fim de proteger as salas de cinema, a regulamentação francesa impõe um prazo de três anos após a estreia nas telonas antes que um filme possa ser disponibilizado em uma plataforma de streaming. Resultado: Netflix preferiu excluir as salas de sua distribuição, o que pode fazer com quem um potencial ganhador do principal festival de cinema do mundo, nunca seja visto nas telonas.

A questão provocou tamanha indignação que os organizadores do festival se viram obrigados a mudar a regra para as próximas edições. Desta maneira, a partir de 2018 apenas filmes com o compromisso de passar nas salas francesas serão selecionados em Cannes.

Acompanha a cobertura do Festival de Cinema de Cannes

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