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História real de jovem brasileiro é destaque no Festival de Cannes

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Com o filme "Gabriel e a Montanha" Cannes descobre os últimos dias do brasileiro que queria conhecer a África. Divulgação

O Brasil tem seu primeiro filme em competição nesta edição do Festival de Cinema de Cannes exibido neste domingo (21). Concorrendo na Semana da Crítica, "Gabriel e a montanha", de Fellipe Gamarano Barbosa, conta os últimos dias de um brasileiro que queria conhecer a África.


"Gabriel e a montanha" retraça a história de Gabriel Buchmann, um economista carioca de 28 anos que decidiu dar a volta ao mundo, antes de retomar seus estudos em uma prestigiosa universidade americana. Quando estava prestes a terminar sua aventura, em julho de 2009, ele desapareceu. As autoridades levaram quase 20 dias para encontrar seu corpo no monte Mulanje, no sul do Maláui, onde havia morrido de hipotermia

"Gabriel morreu de felicidade", acredita o diretor Fellipe Gamarano Barbosa que apresenta o filme na seção paralela do Festival de Cannes. Em entrevista à AFP, ele explicou que o economista era seu amigo de infância e que o desaparecimento do jovem o "afetou muito".

O cineasta decidiu, então, reconstruir os últimos 70 dias de vida do amigo, desde que ele chegou ao Quênia até seu trágico fim no Maláui, passando por Uganda e Tanzânia. Essa viagem tinha como objetivo ajudar Buchmann a estudar a pobreza no continente africano.

Para realizar o filme, Barbosa buscou "seguir seus passos" exaustivamente. "Usei muito as fotos dele, que estavam (na câmera) junto a seu corpo, seu caderno de viagens e os e-mails" que enviou para amigos e familiares.

Diretor filmou últimas pessoas que viram Gabriel

Nessas mensagens, Buchmann diz que "está muito feliz", "vivendo grandes aventuras e realizando uma viagem de profunda imersão no continente africano, absolutamente não turística, e de forma totalmente sustentável". Várias pessoas que conheceram o jovem durante sua aventura, em 2009, aparecem no filme interpretando a si mesmas: o guia de montanha John Goodluck; Luke Mpata, um caminhoneiro que o hospedou em sua casa; ou Lewis Gadson, o último guia que o viu com vida, antes de decidir seguir sozinho para o topo do Mulanje.

Encontrar essas 13 pessoas "foi um trabalho enorme", explica o diretor. "Em quatro meses, fiz mais de 8.000 km em transporte público. Foi muito duro, até perigoso", mas "as pessoas eram magníficas (...) com muito carisma", como se seu amigo tivesse "feito um casting", brinca o diretor.

Para ele, outra tarefa difícil foi construir o personagem, porque queria mostrá-lo em todas as suas dimensões, não apenas do ponto de vista positivo. "Era alguém muito contraditório. Um pouco egoísta, arrogante, imprudente, mas com um grande coração, sem cinismo", afirma. “Ele estava obcecado com a felicidade, com a pureza da vida", conclui.

"Gabriel e a montanha" é o segundo longa de Barbosa, depois de "Casa Grande", um filme que circulou pelos festivais de Roterdã e San Sebastián.

Brasil é representado em mostras paralelas de Cannes

O Brasil também é representado nesta 70ª edição do Festival de Cinema de Cannes pelo curta "Nada", dirigido por Gabriel Martins, na Quinzena de Realizadores. Também estarão presentes dois projetos da produtora RT Features, ("A Ciambra", de Jonas Carpignano, e "Patti Cake$", de Geremy Jasper, escolhido como filme de encerramento), ainda na Quinzena.

Além disso, os brasileiros estarão na Côte d’Azur com o curta “Vazio do Lado de Fora”, de Eduardo Brandão Filho, da Universidade Federal Fluminense. A produção foi escolhida entre os filmes da Cinéfondation, projeto que reúne trabalhos de alunos feitos em faculdades de cinema.

(Com informações da AFP)

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