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Oito anos depois do acidente do voo AF447, famílias ainda buscam por Justiça

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Resgate dos corpos das vítimas do voo AF447 Reuters

O acidente com o Airbus 330 da companhia Air France, que fazia a ligação entre Rio e Paris e caiu no meio do oceano Atlântico, deixando 228 mortos, completa 8 anos nesta quarta-feira. Depois de quase uma década, as famílias, que se recusam a aceitar as conclusões do relatório final apresentado em 2012 pela BEA, a agência civil da aviação francesa que investiga acidentes aéreos, buscam na Justiça que o fabricante seja responsabilizado.


Em função do fuso horário, todos os anos, as cerimônias se repetem no dia 31, no Leblon, no Rio, e dia 1° no cemitério do Père Lachaise, em Paris, onde foi construído um monumento em homenagem às vítimas de um dos piores acidentes da aviação francesa. Mas longe desses dois locais se trava uma batalha na Justiça entre as famílias e as empresas Air France e Airbus que respondem a um processo criminal. Os juízes responsáveis pelo caso agora pediram uma nova perícia independente, cujo parecer será divulgado no dia 3 de setembro.

Se o laudo for favorável às famílias, o fabricante, acusado pelas falhas técnicas, e a companhia Air France, pelo treinamento inapropriado dado aos pilotos, serão julgados no tribunal – por enquanto, o processo ainda está na chamada fase de “instrução”, que antecede o julgamento no Tribunal Correcional. “Esperamos, que de uma vez por todas, o inquérito possa avançar”, disse a presidente da Associação Francesa dos Familiares das Vítimas, Danielle Lamy, Entraide et Solidarité, que perdeu seu filho, Eric Lamy, no acidente.

“Na prática, a contra-expertise reabre todos as frentes de investigação sobre as verdadeiras causas da queda do AF-447, em especial sobre a eventual culpabilidade de duas partes: a Airbus, fabricante da aeronave e a Air France; companhia à qual o avião pertencia e empregadora dos pilotos”, diz o texto do comunicado divulgado pela Associação dos Familiares das Vítimas do voo 447. Segundo o texto, o pedido de parecer técnico independente é o terceiro solicitado pelo Ministério Público e pela Justiça da França.

Versão inaceitável

O inquérito se arrasta desde a tragédia e visa esclarecer o que é considerado inaceitável pelos familiares e contestado por especialistas em aviação: a versão do relatório final, que em resumo culpa os pilotos pela tragédia. Depois da análise das caixas-pretas do voo, encontradas quase dois anos depois, os investigadores do BEA concluíram que a sequência de falhas mecânicas associada a manobras errôneas executadas pelo co-piloto, conduziu à catástrofe.

Tudo começou com o congelamento dos sensores Pitot, que medem a velocidade do avião, e passou a enviar informações errôneas, levando à desativação do piloto automático e à perda de sustentação do avião. O diretor de voo, que fornece dados e parâmetros, orientou os pilotos a ganharem altitude – sendo que eles deveriam empurrar o nariz do Airbus para baixo, ou picar o avião. A conclusão final da agência, entretanto, é de que o avião poderia ter se estabilizado e pousado normalmente em Paris, independentemente dos problemas técnicos. Uma versão contestada pelas famílias, que pretende responsabilizar a Air France e Airbus.