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Mudanças climáticas resultam no aumento de ratos e insetos na França

Por Daniella Franco

Nas casas, jardins e até mesmo em prédios públicos, metrôs e nas ruas, a França registra um grave aumento da proliferação de insetos e ratos. Mais da metade dos franceses declara ter enfrentado ou estar enfrentado o problema. Não é à toa que, nos últimos dois anos, a quantidade de dedetizações e desratizações profissionais deu um salto de 54% no país. A principal explicação para o fenômeno, segundo os especialistas, são as mudanças climáticas.

"Com o aquecimento global e o aumento das temperaturas, as espécies deixam de hibernar durante os meses mais frios do ano: isso é verificado especialmente no caso dos roedores. Já os insetos, depois de um inverno pouco rigoroso, recomeçam a se reproduzir muito antes do que o normal", diz o porta-voz do CS3D, o sindicato das empresas que combatem parasitas e animais nocivos na França.

O especialista em economia ambiental Marcelo de Miranda Ribeiro Quintiere explicou à RFI que o aumento da proliferação de insetos é uma consequência imediata do aquecimento global. O fenômeno, segundo ele, não se restringe ao incômodo da convivência com essas espécies nas casas ou espaços públicos. "Com mais insetos, aumenta também a quantidade de vetores de doenças, como e aedes aegypt, que é um vetor de doenças como dengue, zika, chikungunya", diz.

Viagens e inseticidas agravam o problema

Bras também salienta que há outras razões para o aumento da proliferação de insetos e ratos, além das mudanças climáticas, como o aumento das viagens intercontinentais. "Os europeus vão a países que não frequentavam antes e outras populações vêm mais à Europa. Isso significa que espécies são mais transportadas de um continente a outro. É o caso por exemplo do mosquito tigre, originário da Ásia e que chegou à Europa."

A criação de novos espaços verdes em áreas urbanas e o hábito dos franceses de realizar piqueniques no verão nesses locais, onde nem sempre os restos de comida são recolhidos, também contribuem para atrair roedores e agravar o problema.

Além disso, Bras lembra que, para proteger o meio ambiente alguns inseticidas, eficazes devido a sua alta toxicidade, foram proibidos de serem utilizados. "Com produtos menos fortes para combater roedores e insetos, a eficácia do combate também muda. Ou seja, é preciso encontrar novas formas de eliminar essas espécies."

Por isso, o especialista recomenda a consulta de profissionais do setor sobre medidas não apenas de combate, mas também de prevenção. Bras salienta que o setor também desenvolve novas formas de eliminação de insetos sem a utilização de inseticidas. É o caso de intervenções contra percevejos de cama na França, que aumentaram 165% nos últimos dois anos, e vêm se concentrando em uma técnica de eliminação térmica.

Quintiere também ressalta que a utilização de produtos químicos, embora pareça ser a solução mais fácil contra a proliferação de insetos, nem sempre é eficaz. "Quanto mais se aplica produtos químicos, mais aumenta a resistência dos insetos. Consequentemente, para combatê-los, precisamos cada vez mais de maiores quantidades de inseticidas."

O especialista reitera que esses produtos também podem gerar mais problemas para o meio ambiente e a saúde dos indivíduos. "Muitos inseticidas têm um ciclo mais longo no meio ambiente. Em uma lavoura, os produtos químicos tendem a se perpetuar durantes semanas ou meses no solo e na água. E isso pode trazer contaminações muito graves para os indivíduos, doenças no sistema neurológico, de visão, no fígado, nos rins, e em casos mais graves, até mesmo câncer."

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