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Países com população mais jovem consomem mais drogas, diz psiquiatra franco-brasileiro

Por Taíssa Stivanin

Hoje o programa RFI Convida conversa com o psiquiatra franco-brasileiro Diogo Alves de Oliveira. Ele integra a equipe do hospital Cochin, em Paris, que atende e trata dependentes químicos. Nessa entrevista, Diogo nos explicou como funciona o atendimento público aos usuários de drogas na França e fez um paralelo com a situação no Brasil.

Segundo Diogo, "os grandes princípios do tratamento da dependência é semelhante nos dois países, com uma dimensão médico-social. A rede de atendimento no Brasil, segundo dados da USP, é menos densa no país". De acordo com ele, uma grande diferença entre os dois países é o número de jovens, que no Brasil é muito maior.

Como a droga é com frequência um vício que se desenvolve a partir de dificuldades vividas na infância associadas a elementos sociais, esse dado é crucial. “A juventude é muito mais representada no Brasil e a dinâmica da população tem um impacto muito importante na violência e no consumo de drogas. Outra questão importante é a transmissão entre as gerações dessa violência”. Isso significa que pais usuários de drogas agem em geral de forma violenta com seus filhos os predispondo à mesma dependência.

Crack na França

Diogo também explica que o crack, surgido na França nos anos 90, foi rapidamente controlado por conta de uma rápida conscientização de profissionais da saúde e políticos. Hoje a droga é presente principalmente no norte de Paris e atinge a população em situação de extrema precariedade. O consumo é estável, e o dispositivo de tratamento público inclui uma equipe multidisciplinar, além de programas que ensinam os usuários a se protegerem do contágio de doenças como a hepatite C e o HIV, por exemplo.

“Talvez na França o sistema de saúde funcione melhor e haja menos problema de desemprego, o que criou uma certa proteção social”. Em relação à Cracolândia, Diogo acredita que apenas medidas a longo prazo podem resolver o problema, que deve ser visto “ de forma global”. O psiquiatra também explica que na França a hospitalização não é preconizada, apenas em casos muito específicos.
 

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