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Jornais opinam sobre Parlamento francês com 424 deputados estreantes

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A composição do novo Parlamento francês é o principal assunto nas manchetes nesta terça-feira. Reprodução

Os jornais desta terça-feira (20) fazem um balanço das eleições legislativas e suas consequências para o mandato de Emmanual Macron. O partido do presidente centrista conquistou a maioria absoluta do Parlamento, mas colhe uma vitória relativa nas urnas.


O jornal de esquerda Libération nota que houve uma inversão de representatividade na Assembleia: os deputados provenientes do setor público, que eram maioria no mandato anterior, foram suplantados por representantes do setor privado. A maioria dos eleitos tem nível de ensino superior e espírito empresarial, mas faltam trabalhadores, agricultores a assalariados para garantir o equilíbrio na nova composição, assinala o Libération.

O conservador Le Figaro estima que a posição de força conquistada por Macron na Assembleia cria mais obrigações ao presidente, que deve, na opinião do jornal, agir rapidamente para superar "os cinco anos de imobilismo" da presidência socialista.

Le Figaro observa que 424 eleitos nunca pisaram no Palais de Bourbon, a sede da Assembleia Nacional. A média de idade dos recém-eleitos é de 48 anos, contra 54 anos anteriormente. A maior novidade é, sem dúvida, a presença feminina: 224 mulheres eleitas, um recorde. Dos 577 parlamentares, 13 são agricultores, 41 empresários e 21 assalariados, entre outras categorias socioprofissionais.

"Método Macron"  

Para o diário econômico Les Echos, está claro que Macron planejou detalhadamente sua ação política, algo bem diferente do que fez o ex-presidente François Hollande. O modo de governança do centrista é baseado na eficiência, sublinha o diário liberal, com ministros escolhidos em função de suas competências, gabinetes enxutos e no chamado "spoil system", prática comum nos Estados Unidos, segundo a qual o partido vencedor da eleição distribui cargos no governo para seus apoiadores em retribuição ao apoio dado na campanha.

O Le Monde joga luz sobre a abstenção maciça, superior a 57% no segundo turno. "Nenhuma democracia pode tolerar por um tempo prolongado que as classes desfavorecidas e certas faixas etárias, principalmente jovens, oscilem entre o voto de protesto e períodos de abstenção eleitoral. Nenhum sistema político deve se acomodar ante essa perda de vitalidade democrática, adverte o Le Monde.

O jornal católico La Croix constata que a crise de representação política e democrática não desapareceu após quatro turnos de votação, levando-se em conta as eleições presidencial e legislativas. Apesar da derrocada do Partido Socialista, a esquerda estaria passando por uma fase de reinvenção, na avaliação do La Croix.