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Coreógrafa cabo-verdiana cria versão contemporânea de "Bacantes"

Por Márcia Bechara

O RFI Convida conversou com a bailarina e coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas, uma das presenças mais esperadas da 37ª edição do festival internacional de dança Montpellier Danse, no sul da França. A artista realizou durante o festival a estreia mundial de "Bacantes - Prelúdio para uma Purgação", uma releitura contemporânea do texto clássico de Eurípides.

(Para ouvir a entrevista na íntegra, clique acima na foto da matéria)

"Comecei a dançar em Cabo Verde com um grupo amador de adolescentes. Dançávamos hip hop, coisas desse tipo, além de danças tradicionais, samba etc. Depois fui estudar dança na Escola Superior de Dança de Portugal e depois na PARTS, em Bruxelas. Depois fiz um curso de coreografia através da Fundação Calouste Gulbenkian, em Portugal. Durante esse período sempre trabalhei com outros coreógrafos enquanto bailarina, além de meus trabalhos pessoais", conta Marlene.

"O fato de eu estar em Cabo Verde não quer dizer que as referências fossem apenas referências da cultura cabo-verdiana. Vivi numa ilha em São Vicente que sempre teve um porto muito grande, sempre foi muito aberta para o mundo. As referências de um jovem em Cabo Verde são partilhadas com jovens de outros lugares", contextualiza a coreógrafa. "O que percebia é que não existiam aulas de dança no ensino. Não havia um lado pedagógico da dança. Isso nunca houve.

O espetáculo "Bacantes - prelúdio para uma purgação" estreou no dia 29 de junho no teatro Opéra Comédie, em Montpellier, no sul da França. Filipe Ferreira

"Bacantes" e as imagens

"Quando falo do paralelo com outras culturas, tento, através deste paralelo, obter outras informações. Estamos falando de um ritual que era feito na Grécia Antiga com seus aspectos culturais, mas também estamos falando de coisas que recebemos através de imagens. De fato, abordar "As Bacantes" de Eurípides é colocar em imagens o que está no texto. A própria cultura grega tinha essa questão de colocar em imagens nos vasos gregos, nos afrescos, os mitos, rituais e situações do cotidiano. "Nós, de alguma maneira, aproveitamos esse 'savoir-faire' para desenvolver nosso projeto", explica.

"Quando algo acontece, quando uma imagem acontece, a imagem não é só o que nós vemos, mas como nós vemos, é a projeção da pessoa sobre aquilo, então o encontro entre essas duas coisas é uma experiência individual. Pode ser uma experiência coletiva, o público é um coletivo, mas dentro do público tem gente que vai se relacionar com o que está vendo de forma muito diferente. E digamos que as coisas estão colocadas em cena de forma que esse movimento de projeção do próprio público aconteça de maneira mais incisiva", afirma Marlene.

Clique abaixo para ver trechos de "Guintche", trabalho apresentado pela coreógrafa em 2013 no FID - Festival Internacional de Dança de Belo Horizonte.

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