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França Levothyrox Euthyrox tireoide Remédio Justiça laboratório

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Após polêmica na França, remédio para tireoide volta à antiga fórmula

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A antiga versão do medicamento Levothyrox será disponível dentro de duas semanas afirma a Ministra da Saúde Agnès Buzyn. DAMIEN MEYER / AFP

Depois de uma enorme polêmica sobre a mudança do excipiente do comprimido, vendido como Euthyrox no Brasil, a antiga fórmula do remédio Levothyrox, para pacientes de tireoide, estará disponível em todas as farmácias dentro de 15 dias, como confirmou nesta sexta-feira (15) seu fabricante, a empresa farmacêutica alemã Merck. A mudança de fórmula aconteceu apenas na França.


“Em quinze dias todas as farmácias poderão obter o medicamento [Levothyrox, com a fórmula antiga] em seu atacadista", declarou Thierry Hulot, presidente da empresa farmacêutica Merck na França. Mas a volta à fórmula antiga só poderá ser feita "sob prescrição médica", ressaltou Hulot. "É necessário que todos os pacientes que estão bem com a nova fórmula continuem com o novo produto", acrescentou.

Perguntado sobre o número de pacientes que poderiam retornar à formulação anterior, Hulot lembrou que nove mil pessoas relataram efeitos adversos - cólicas, dores de cabeça em particular. Por enquanto, "nos basearemos neste número", disse. Os estoques com a fórmula antiga vendidos na França serão retirados de vários mercados europeus, de acordo com o laboratório farmacêutico.

Trata-se provavelmente de medicamentos fabricados em Darmstadt, na Alemanha, que fornece para a Europa. As caixas do medicamento poderão ser rotuladas na língua dos mercados a que se destinam, mas os farmacêuticos receberão um aviso em francês, acrescentou Merck.

Três milhões de pacientes tomam diariamente o Levothyrox na França para tratar de hipotireoidismo e outras doenças, ou mesmo após uma operação de câncer de tireoide. Dezenas de ações judiciais estão sendo levadas à Justiça por pacientes reclamando de efeitos colaterais particularmente dolorosos, entre eles a atriz Anny Duperey, que interpelou pessoalmente a ministra de Saúde da França, Agnès Buzyn. Buzyn também indicou que "alternativas" ao Levothyrox estarão disponíveis "dentro de um mês".

Tribunal de Marselha, no sul da França, abre investigação

Ainda nesta sexta-feira, o tribunal de Marselha decidiu abrir uma investigação judicial relativa ao Levothyrox, após queixas de doentes da tireoide que se dizem vítimas de “efeitos colaterais” como cansaço, perda de memória e perde de cabelo.

Um inquérito preliminar foi confiado ao Polo de Saúde Pública do Tribunal de Marselha, cuja jurisdição se estende a Lyon, onde a sede francesa do laboratório alemão Merck que produz este medicamento, segundo anunciou o procurador da cidade, Xavier Tarabeux.

"É necessário que a verdade apareça e que todas as responsabilidades criminais possam ser previstas. Somente um inquérito judicial irá permitir que isso seja feito", afirmou o advogado David-Olivier Kaminski, que já apresentou 12 reclamações em nome de pacientes que utilizam Levothyrox, e prepara "várias dúzias" de outros.