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Marine Le Pen Jean-Marie Le Pen Playboy Revista Morte Hugh Hefner

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Revista Playboy traumatizou Marine Le Pen com fotos nuas de sua mãe

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Um leitor da revista "Playboy" com a edição de 10 de junho de 1987, em que Pierrette Lalanne, ex-mulher de Jean-Marie Le Pen, teve chamada de capa. PIERRE ANDRIEU / AFP

O fundador da revista Playboy, Hugh Hefner, morreu nesta quinta-feira (28), aos 91 anos, de causas naturais em sua casa em Los Angeles. O anúncio da morte no Twitter faz os franceses recordarem de "coelhinhas nacionais" memoráveis. A mais inusitada é, sem dúvida, Pierrette, mãe da líder de extrema-direita Marine Le Pen, que posou seminua para um editorial da Playboy francesa em 1987.


As fotos de Pierrette Le Pen seminua, com um aspirador de pó entre as pernas, ou de quatro, passando um pano no chão, são um dos grandes traumas do clã Le Pen. Em 1984, quando ainda era casada com Jean-Marie Le Pen, ela deixou a casa da família e na sequência se envolveu em um divórcio escandaloso com o líder nacionalista, que só foi concluído em 1987.

Próximos da família dizem que o ódio que Marine Le Pen nutre pelo pai nasceu desse episódio, em que ela viu sua mãe nua, servida de bandeja aos leitores da Playboy, após desentendimentos com o pai.

Pierrette e o fundador do partido de extrema-direita Frente Nacional viveram o amor perfeito durante 25 anos, segundo amigos do casal. Eles se casaram em 1960, em Paris, tiveram três filhas – Yann, Marine e Marie Caroline –, mas em 1984, Pierrette decidiu trocar o marido por um jornalista que frequentava a casa da família na época, preparando a biografia do político nacionalista.

Jean-Marie ficou furioso com a traição da mulher. Ele cortou o dinheiro de Pierrette e ela, para se vingar, decidiu posar para a Playboy a fim de constrangê-lo. Quando o divórcio foi oficializado, ela declarou que o orgulho exagerado de Le Pen e sua vaidade o levaram a ser cruel com ela. Pierrete contou que escolheu posar "vestida" de faxineira, com uma aspirador e um pano de chão entre as pernas, porque essa tinha sido a função que ela havia ocupado na vida do marido durante os 25 anos de casamento.

"Sofri pelo meu país", disse Jean-Marie Le Pen

Em um documentário gravado nos anos 1980, e retransmitido recentemente na TV francesa, Jean-Marie Le Pen comentou o caso: "Quando eu vi que as fotos tinham sido vendidas, dando uma imagem deletéria e grotesca de uma francesa ligada a um político de primeiro plano [...] Quando vi que as fotos tinham sido vendidas na Inglaterra, Austrália e nos Estados Unidos, pessoalmente eu sofri pelo meu país, porque me dei conta que querendo atingir a mim e a minhas ideias, a França foi atingida. E acredito que essa foi a forma como os franceses vivenciaram esse episódio", declarou Le Pen.

Além de Pierrette Le Pen, várias atrizes conhecidas do grande público francês posaram para a Playboy: Jane Birkin, também cantora e viúva do compositor Serge Gainsbourg; Romy Schneider, nascida em Viena mas naturalizada francesa; Nathalie Baye, ex-mulher do cantor Johnny Hallyday; Vahina Giocante; as atrizes pornô Ophélie Winter e Clara Morgane; além da manequim e apresentadora de TV Karine Ferri.

Hefner deixa filhos e uma coleção de coelhinhas

O anúncio da morte de Hugh Hefner no Twitter trouxe à tona uma conhecida frase do americano: "A vida é muito curta para viver o sonho de outra pessoa".

"Meu pai viveu uma vida excepcional e impactante. Defendeu alguns dos movimentos sociais e culturais mais importantes do nosso tempo, a liberdade de expressão, os direitos civis e a liberdade sexual", destacou Cooper Hefner, filho de Hugh, ao confirmar o falecimento. Além de Cooper, Hugh Hefner deixa os filhos David e Marston, e a filha Christie.

O fundador da revista Playboy, Hugh Hefner, morreu em Los Angeles aos 91 anos de causas naturais. REUTERS/Lucy Nicholson/File Photo TPX IMAGES OF THE DAY

Hefner era casado desde 2010 com a modelo Crystal Harris, 60 anos mais nova que ele, após dois divórcios nos anos 1950. Conhecido por manter várias namoradas ao mesmo tempo em sua casa, Hefner protagonizou o reality show "Girls of Playboy mansion".

Ele criou a Playboy Enterprises em 1953, que começou com a revista "Playboy" e depois se estendeu à produção de conteúdos eróticos para TV e internet, além do licenciamento de produtos com a conhecida marca do coelho de gravata.

A revista, que marcou a "revolução sexual" dos anos 1960 e 1970 e foi publicada em quase todo o planeta, enfrentava nos últimos anos a concorrência da internet. A publicação chegou a experimentar – entre 2016 e 2017 – edições sem nudez, mas acabou retornando à fórmula original.

"Hefner adotou uma abordagem progressiva não só para sexualidade e humor, mas também para a literatura, política e cultura", destacou a Playboy.

Com agências internacionais