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França Emmanuel Macron Reforma Imposto Fortuna

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Proposta de isenção de impostos sobre iates, jatos e ouro divide partido de Macron

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Emmanuel Macron é criticado pela oposição de esquerda de ser o "presidente dos ricos". RFI

A reforma do Imposto de Solidariedade sobre a Fortuna (ISF), anunciada na quarta-feira (27) por Emmanuel Macron, está dividindo os deputados da República em Marcha (LRM), o partido do presidente. O projeto, uma promessa de campanha, vai favorecer os mais ricos ao isentar do imposto sobre a fortuna bens de capital, iates, jatinhos, carros de luxo, cavalos de corrida e barras de ouro.


O governo do presidente Emmanuel Macron quer substituir o imposto sobre fortunas, a partir do dia 1º de janeiro, por uma taxa aplicada apenas a propriedades e imóveis. O antigo ISF pelo IFI de fortuna imobiliária. Os ativos financeiros, como ações, dividendos, títulos da dívida pública serão sujeitos a uma "flat tax" de 30%, a partir de 2018.

Além de alimentar a imagem de ser “um presidente dos ricos” como critica a oposição, Macron ameaça com a reforma a unidade de seu partido. Alguns deputados do LRM já pensam em propor emendas ao texto, visando manter os bens de luxo no novo imposto sobre a fortuna.

Indignação

Na sexta-feira (29), Joel Giraud, relator do orçamento na Assembleia Nacional francesa e deputado da República em Marcha, declarou ser necessário rever alguns aspectos da reforma do ISF. "Um iate é algo para se ostentar, não é produtivo para a economia", disse o parlamentar ao jornal Le Parisien.

A indignação de Giraud foi criticada por outros deputados LRM. Ele é acusado de dar razão à esquerda que chama a reforma do ISF de “presente aos mais ricos”. Mas outros parlamentares da sigla o apoiam. Paul Molac também é favorável a reverter esse ponto sensível do projeto. "A isenção dos bens de luxo é potencialmente negativa para a imagem do presidente, disso não é certo que ela dará mais liquidez à economia", aponta o deputado.
 

Deter o êxodo de milionários

O ministro da Economia, Bruno Le Maire, afirmou que a reforma tem o objetivo deter o êxodo de milionários e empreendedores da França. Atualmente, cerca de 350 mil contribuintes na França pagam imposto sobre fortunas, aplicado quando a renda ultrapassa € 1,3 milhão (US$ 1,53 milhão). Segundo o governo, a reforma estimularia o crescimento, estimulando os ricos a investir na "economia real".

Os cofres públicos deixariam de arrecadar € 4,5 bilhões de euros com a medida.