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Harvey Weinstein Cinema Juliette Binoche Oscar

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Juliette Binoche sai do silêncio e fala sobre Harvey Weinstein

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A atriz francesa Juliette Binoche sai do silêncio para falar do produtor de cinema Harvey Weinstein é o destaque do jornal francês Le Monde desta segunda-feira. Fotomontagem RFI

Em entrevista exclusiva ao jornal Le Monde desta terça-feira (24), a atriz francesa Juliette Binoche fala sobre o caso do produtor de cinema americano Harvey Weinstein, que caiu em desgraça por causa de graves acusações de assédio e violações sexuais.


Harvey Weinstein está por trás do sucesso internacional da atriz. O americano, produziu, entre outros, “O Paciente Inglês”, pelo qual ela levou o Oscar de melhor atriz em 1997, e “Chocolate”, que valeu a Juliette Binoche uma outra indicação ao cobiçado prêmio, em 2001.

 

Ela admite que apenas uma vez o produtor fez uma insinuação sexual verbal, que ela não levou a sério, repelindo-o imediatamente. Sobre casos mais graves, ela diz que soube através de uma colega.

 

“Conheço diversas facetas de Harvey, trabalhei com ele várias vezes”, disse Binoche. A atriz fala de ocasiões em que o viu chorando de vergonha, ou em que foi generoso ou mentiroso. “É um ser complexo e, ao mesmo tempo, estranhamente sedutor. Mas eu sabia muito bem que ele tinha um animal em seu interior", acrescenta a atriz francesa.

Na entrevista ao Monde, Binoche fala sobre sua própria experiência com assédios, inclusive desde a infância, mas principalmente no mundo profissional do cinema. Ela conta que soube, desde o início, se impor e se defender.

Ser artista é uma profissão perigosa

Mas sabe que perdeu alguns papeis por causa dessa atitude, “por não responder aos gestos sob a mesa, ou porque não liguei para o número de celular que recebi após um ensaio”. Ela acrescenta que é uma profissão perigosa, “onde a intuição é primordial”.

“O ator precisa ver, observar, sentir, se esquivar, se proteger, mas, no momento essencial de seu trabalho, isto é, diante da câmera ou no palco, aí sim, ele deve se abrir de corpo e alma”, opina Binoche.

A atriz francesa acredita que não são só mulheres que passam por isso, muitos atores podem ter experimentado essas situações, com outros homens ou mulheres. No entanto, nos Estados Unidos, “a força masculina prevalece”.

“Na Europa, e especialmente na França, a lei protege o autor, o final cut é um direito do realizador. Por isso a relação entre diretor e atriz é muito mais forte que nos Estados Unidos”.