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França Abdel Fattah al-Sissi Egito Emmanuel Macron Repressão

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Visita oficial de presidente egípcio à França é criticada

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O presidente egípcio Abdel Fattah al-Sissi desembarcou em Paris para uma visita oficial de três dias. REUTERS/Thibault Camus/Pool

O presidente egípcio Abdel Fattah al-Sissi iniciou nesta segunda-feira (23) uma viagem oficial de três dias a França. A visita do representante do Cairo, que será recebido pelo chefe de Estado francês Emmanuel Macron, suscita críticas severas, principalmente por causa da repressão que, segundo as ONGs, reina no Egito desde o início de seu mandato.


ONGs como Human Rights Watch (HRW), Anistia Internacional, Repórteres sem Fronteiras e Federação Internacional pelos Direitos Humanos (FIDH) exigem que as autoridades francesas abordem a questão da violência e da repressão no Egito durante a passagem do chefe de Estado por Paris. Em um comunicado conjunto, as organizações estimam que Macron deve pedir ao presidente egípcio “o fim da campanha de criminalização dos defensores dos direitos humanos e o fim da perseguição dessas pessoas”.

“Esse vai ser um teste diplomático crucial. Macron fez declarações públicas fortes e discursos vibrantes. Agora ele deve colocar suas palavras em prática”, declarou a diretora da HRW na França, Bénédicte Jeannerod.

Paris, que mantém ótimas relações comerciais e em termos de segurança com o Cairo, informou que a situação dos direitos humanos no Egito fará parte dos temas discutidos quando os dois chefes de Estado se encontrarão, nesta terça-feira (24), pela primeira vez, no palácio do Eliseu, sede da presidência francesa.

Sissi chegou ao poder em 2013 após ter destituído o presidente islamita Mohamed Mursi, que havia sido democraticamente eleito. Alegando lutar contra os extremismos, seu governo impôs um modelo visto pelas ONGs como repressivo. Se os primeiros visados foram os membros da Irmandade Muçulmana de Mursi, aos poucos toda a oposição se tornou alvo, além da imprensa, das ONGs e outros representantes da sociedade civil.

Contratos bilionários e compra de Rafales

As associações denunciam frequentemente prisões em massa, condenações a morte injustificáveis, perseguição de homossexuais e uso banalizado da tortura. “Não há mais nenhum espaço de contestação no Egito”, declarou Hussein Baoumi, da Anistia Internacional no país.

Durante sua visita, Sissi também vai se reunir com empresários e ministros, entre eles o chefe da diplomacia francesa, Jean-Yves Le Drian, que pilotou a venda de armamento para o Cairo quando detinha a pasta da Defesa, na época da presidência de François Hollande. Desde 2015, o Egito já concluiu vários contratos, estimados em mais de € 6 bilhões, para a compra de equipamentos bélicos da França, entre eles 24 aviões de combate Rafale e mísseis.