rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
  • Estilista Azzedine Alaïa morre aos 77 anos em Paris
O Mundo Agora
rss itunes

Com Macron, França quer voltar à vanguarda da revolução política

Por Alfredo Valladão

A França, terra de grandes revoluções estava parada num conservantismo destrutivo. Tudo que acontecia no mundo era visto como uma ameaça ao tão decantado “modelo social” francês, considerado o mais livre, mais justo e mais fraterno. Enquanto isso, o país era incapaz de enfrentar os novos desafios econômicos, sociais e políticos do século XXI. Entra governo e sai governo mas tudo fica na mesma. Só que de repente, com a eleição de Emmanuel Macron à presidência, a França parece querer recuperar a velha vocação de vanguarda de uma nova revolução política.

Macron dinamitou o sistema de partidos tradicionais com uma nova maneira de “fazer política”. Em vez de um partido, ele promoveu um “movimento” – a “Republique en Marche” – congregando dezenas de milhares de voluntários cansados da velha politicagem. Os partidos de sempre atuavam de cima para baixo.

Primeiro, um congresso de militantes para eleger um líder e um diretório nacional. Segundo, a elaboração de um programa de governo por um pequeno grupo de dirigentes, a partir de uma visão ideológica dum futuro paraíso social. Terceiro, a utilização de todos os meios de comunicação e propaganda para “vender” a proposta aos eleitores. As bases, partidária e eleitoral, não tinham nenhuma voz ativa no processo. A “République en Marche” virou tudo de perna para o ar.

Estratégia “solucionática”

Durante a campanha, milhares de militantes voluntários saíram pelo país inteiro, porta a porta, tomando nota dos problemas, angústias e esperanças dos cidadãos – mais de 100.000 entrevistas. Foi a maior sondagem jamais realizada na França e ainda por cima de graça. A partir daí, os milhares de questionários foram mandados por internet e analisados por algoritmos.

O resultado então foi tratado por um grupo de 200 especialistas para redigir um programa compatível com as ideias do candidato. Nada de promessas idealistas ou “projetos de sociedade”: o objetivo central é como resolver os problemas detectados por eleitores de carne e osso. Os chamados “marcheurs” não querem saber de problemática, só interessa a “solucionática”.

No final das contas, o programa é construído de baixo para cima. E todo o movimento está hiperconectado por uma rede informática interna. Essa organização de novo tipo e de alta tecnologia, bem mais horizontal do que vertical, tirou um inédito coelho da cartola: alguns dias antes do primeiro turno do pleito presidencial, seis milhões de eleitores receberam chamadas telefônicas pedindo voto para Macron.

Experiência revolucionária

Mas uma coisa é ganhar uma eleição, outra é governar. Claro, o movimento também conseguiu eleger uma imensa maioria de deputados, mas na hora de aplicar o programa o controle da Assembleia Nacional não basta. É preciso uma força política mais disciplinada e organizada para sustentar a imagem do presidente e as decisões do governo junto à opinião pública.

A recente nomeação de Christophe Castaner, porta-voz e homem de confiança de Macron, para dirigir e transformar o movimento em partido político mostra que o presidente decidiu levar a tarefa a sério. Mas a ideia não é voltar ao passado da “velha política”.

O objetivo é simplesmente de consolidar o funcionamento em rede do movimento para que ele  possa funcionar de maneira permanente. Uma rede horizontal, baseada em pequenos grupos de referência no maior número possível de cidades francesas que continuam conversando com os habitantes para angariar ideias e explicar as ações do governo.

Não há dúvida de que se trata de uma experiência revolucionária, adaptada aos novos tempos das inovações tecnológicas e das empresas “start-up” que precisam de uma relação permanente com os clientes para definir seus produtos e processos de produção. Mas será que os cidadãos não vão sentir falta de uma utopia política, de um projeto de sociedade ideal? No frigir dos ovos, política também é feita de paixão e sonhos.

Separatismos são motivados pela desconfiança das populações nos governos centrais

Histerias nacionalistas como a da Catalunha revelam desconfiança em governos nacionais

Partidos extremistas na Alemanha são mais fracos que nos países vizinhos

Rússia desafia OTAN com um dos maiores exercícios bélicos desde o fim da Guerra Fria

América Latina: ativismo judicial é primeiro passo para Estado de Direito

Perspectiva de derrota do grupo EI acirra guerra pelo controle da região