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França Paradise Papers Brasil evasão fiscal

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TV francesa dá detalhes sobre envolvimento de Blairo Maggi no Paradise Papers

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O nome do ministro brasileiro da Agricultura, Blairo Maggi, apareceu nas listas dos Paradise Papers. Marcelo Camargo/Agência Brasil

A televisão francesa deu amplo destaque na noite desta terça-feira (7) para o escândalo Paradise Papers. Um programa de jornalismo investigativo explicou a presença do nome do ministro brasileiro da Agricultura nas listas das personalidades envolvidas no caso. Apresentado como “o rei da soja no Brasil”, Blairo Maggi é acusado de envolvimento no esquema dos paraísos fiscais revelado esta semana.


O programa Cash Investigation, do canal público France 2, conhecido por revelar escândalos em vários setores, faz parte do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) que divulgou os Paradise Papers. O grupo analisou mais de 13 milhões de documentos, entre eles 100 mil planilhas, com informações sobre extratos bancários, contratos, e nomes de clientes da Appleby, entidade baseada nas Bermudas e apresentada como “um dos principais escritórios de direito do mundo offshore”.

Esses documentos revelaram detalhes sobre um gigantesco esquema de evasão fiscal em vários setores, envolvendo empresários, personalidades, políticos e celebridades do mundo todo, entre eles o atual ministro da Agricultura do Brasil, Blairo Maggi. Os jornalistas de Cash Investigation explicam em detalhes como o francês Louis Dreyfus, “um empresário de reputação duvidosa”, se uniu ao brasileiro para investir no setor da soja, além de ajudar a financiar uma das campanhas eleitorais do ministro.

“O Grupo Dreyfus se associou ao rei da soja no Brasil”, comenta o programa ao se referir a Maggi. O ministro, aliás, é apresentado como um “político bilionário, com uma reputação controversa”. Os jornalistas ressaltam que o brasileiro “é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção”.

Mesmo assim, continua o programa francês com ironia, “o currículo de Blairo Maggi não impediu o grupo Dreyfus de se associar ao brasileiro”, com uma parceria na qual cada signatário ganha 50%, detalha. A reportagem faz alusão direta à sociedade criada entre o grupo familiar AMAGGI, do qual o ministro é acionista, e Louis Dreyfus Commodities, registrada nas Ilhas Cayman para operar no mercado de grãos. O paraíso fiscal, lembram os jornalistas, oferece uma taxa de impostos de 0%, enquanto na Europa as empresas teriam que desembolsar 23% de seu faturamento em encargos.

“Não tenho conta bancária fora do Brasil”, diz Maggi

A equipe de reportagem do canal francês vai até Campinas, durante um congresso internacional dos industriais do trigo, para encontrar o ministro brasileiro. Os jornalistas questionam Maggi sobre a joint venture  da AMAGGI com a Dreyfus. Mas o ministro desconversa, dizendo que “não é minha área responder esse tipo de questões. Mas a empresa da qual eu faço parte faz negócios com a Dreyfus Brasil", confirmou. "Eu sou apenas um acionista dessa empresa. Não sou o gestor”, disse. 

Os repórteres também interrogaram Maggi sobre a contribuição financeira que Dreyfus teria feito para uma de suas campanhas eleitorais. O ministro explica que buscar apoio financeiro é algo habitual na política e que sua relação com o francês “é muito antiga. Somos parceiros há mais de 30 anos. Não há nada ilegal nessa história”, retruca o brasileiro. “Não tenho conta bancária fora do Brasil”, se defende. 

Desde que o escândalo foi revelado, Maggi nega qualquer tipo de envolvimento no esquema do Paradise Papers. Indagado pela imprensa, a AMAGGI informou que "desde que ingressou na vida pública, o sr. Blairo Maggi não possui qualquer função na administração da AMAGGI (bem como de quaisquer outras empresas do grupo), seja na gestão executiva ou no conselho de administração".