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França Imprensa Grupo Estado Islâmico Jihadista

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Imprensa questiona se franceses do grupo EI devem ser repatriados

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Matéria publicada nesta sexta-feira (10) pelo jornal Aujourd'hui en France. Reprodução/Aujourd'hui en France

A três dias do aniversário de dois anos dos atentados coordenados em Paris, a imprensa francesa começa a lembrar o fatídico 13 de novembro de 2015, trazendo à tona um polêmico debate: repatriar ou não os jihadistas franceses?


"Como gerenciar o retorno das famílias do grupo Estado Islâmico" é a manchete de capa do jornal Aujourd'hui en France desta sexta-feira (10). O diário lembra que centenas de franceses - entre eles mulheres e crianças -, membros da organização jihadista, aguardam na Síria e no Iraque para saber qual será o seu destino.

No total, são 300 homens, 400 mulheres e 500 crianças - todos franceses - detidos em operações de retomada dos bastiões do grupo Estado Islâmico. Procurado pelas famílias dos jihadistas na França, que fazem um apelo pelo repatriamento geral, Macron já deu uma resposta: não. No entanto, para as esposas e as crianças, o presidente prometeu estudar caso por caso.

As famílias dos jihadistas franceses alegam que eles têm direito de ao menos passar por um julgamento na França. "Esses homens e mulheres frequentaram nossas escolas, cresceram em nossas ruas, viveram em nossos bairros. Eles são um produto da República francesa. Eles são um fracasso nosso. É por isso que é nossa tarefa julgá-los", diz a advogada Marie Dosé, que defende vários franceses do grupo Estado Islâmico.

Em editorial, Aujourd'hui en France considera que "os fanáticos que escolheram integrar as trincheiras jihadistas devem assumir sua escolha". Mas o jornal não tem a mesma opinião sobre os filhos dos extremistas. "Nascidos no local ou levados [para Síria ou Iraque] quando eram pequenos, eles também são vítimas", salienta o jornal.

Por isso, garantir o retorno dessas crianças e sobretudo lhes tirar do obscurantismo no qual foram submersos seria "uma grande vitória sobre a ideologia sanguinária de seus pais", conclui Aujourd'hui en France.

Aniversário de dois anos do 13 de novembro de 2015

"Ajuda às vítimas: um combate sem fim" é a manchete de capa do jornal Libération. O diário lembra que, dois anos após os ataques terroristas, as figuras que lideraram a luta pelos direitos das vítimas se afastam, exaustos da cansativa batalha.

Libération traz uma matéria de duas páginas com os criadores e presidentes das associações de ajuda às vítimas que, voluntariamente, lideraram a luta das pessoas afetadas pelos atentados. No total, 130 pessoas morreram nos massacres do 13 de novembro de 2015, mais de 400 ficaram feridas.

Além do desafio psicólogico e da dedicação no plano pessoal que a tarefa exige, a falta de atenção do novo governo também desanima esses voluntários. A secretaria de apoio às vítimas criada pelo ex-presidente François Hollande, por exemplo, foi extinta pelo atual chefe de Estado Emmanuel Macron, que atribuiu o trabalho a uma delegada interministerial.

Em entrevista ao Libération, lideranças de associações reclamam do desdém do governo Macron, que se concentra, desde os primeiros meses, em apertar o cinto para reduzir os gastos públicos, deixando a questão da ajuda às vítimas do terrorismo em segundo plano.

"Perdemos peso político e midiático. Agora as coisas avançam um pouco devido ao aniversário de dois anos do 13 de novembro, mas como será daqui a alguns meses?", diz um voluntário, em entrevista ao jornal.