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“O Brasil encaretou muito”, diz Bob Wolfenson em Paris

Por Márcia Bechara

Ele é paulistano da gema, cresceu no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, e aos 16 anos já trabalhava nos estúdios da editora Abril. O RFI Convida hoje Bob Wolfenson, um dos mais importantes fotógrafos contemporâneos do país, que falou sobre seu trabalho, o novo livro que autografa em Paris e a “onda moralista que o Brasil enfrenta”.

Bob Wolfenson veio a Paris lançar o livro que leva seu nome na Paris Photo, um dos maiores eventos mundiais da fotografia de arte. “Paris e Nova Iorque são as capitais mundiais da fotografia. Eu venho sempre à cidade e frequento os eventos fotográficos, as exposições, faço uma imersão fotográfica cada vez que venho aqui”, conta Wolfenson.

“O livro surgiu de uma ideia do Roberto Linsker, fotógrafo que tem uma editora de fotografia que se chama Terra Virgem, ele me procurou querendo fazer um livro com meu trabalho para a coleção Fotógrafos Viajantes. E ele começou a selecionar, meu acervo é monstruoso, tem mais de 250 mil negativos, o resto é digital”, conta.

“O Linsker decidiu fechar uma história no setor de mulheres da minha carreira e fez um livro só sobre elas. São musas, não-musas, o livro tem uma anarquia própria de alguém que está olhando o seu trabalho. Eu faria um livro mais racional, com o conceito mais fechado. Ele fez um livro mais anárquico, e eu acho isso muito bom, gostei bastante do resultado”, relata Wolfenson, que participa pela primeira vez de Paris Photo.

Rita Lee foi uma das personalidades brasileiras retratadas pelas lentes de Bob Wolfenson. Bob Wolfenson

50 anos de carreira

São quase 50 anos de carreira, e são raras as personalidades que não passaram pelas lentes de Bob Wolfenson, como Caetano Veloso, Fernanda Torres, Darcy Ribeiro, Jô Soares, Dorival Caymmi e Ney Matogrosso. Que encontros marcaram o fotógrafo?

“Acho que toda fotografia é um encontro. Parafraseando um pouco Vinícius de Moraes, a fotografia também é arte do encontro. Com as não-regras do encontro, você não sabe exatamente o que vai acontecer. Você tem a sua constante, que é a câmera fotográfica, a luz, e o resto depende dessa simbiose entre você e o retratado”, detalha o artista paulistano.

“Um bom encontro é um trabalho de confiança, esse trabalho precisa dessa confiança mútua. Posso citar muitos casos: Caetano, João Cabral de Melo neto, Darcy Ribeiro, o Jô, o Neymar, o Pelé, o Lula, a Dilma...”, conta Wolfenson. “Não é preciso necessariamente haver intimidade. É preciso haver alguma coisa... Na verdade um bom retrato é um mistério. O Richard Avedon, grande fotógrafo americano, dizia que a fotografia não é a captação da alma, fotografia é superfície. É o que está representado naquele momento, naquelas condições, no exato momento daquele encontro. Há fotos boas e fotos ruins, independentemente deste rito”, completa.

Brasil encaretou muito

Sobre o Brasil, Bob Wolfenson diz que o país encaretou “muito” [uma foto sua do Queer Museu foi retirada do Instagram]. “É uma loucura. Eu acho que esse livro – embora não tivesse essa intenção – veio num momento bom. Obviamente eu acho que serei atacado por essa onda moralista, porque o livro tem um monte de mulheres nuas, talvez pela causa feminista, porque podem achar que há uma objetificação da mulher, mas eu acho que não havia momento melhor, esse livro veio no momento certo”, finaliza o fotógrafo.

Bob Wolfenson contou ainda que, durante a seleção de fotos para o livro, a atriz Sônia Braga autorizou a publicação de uma foto sua nua, “apenas para o livro, não para o material de divulgação”. Com os últimos acontecimentos no Brasil, e a censura a eventos artísticos, Sônia Braga voltou atrás e enviou um email ao fotógrafo, dizendo que fazia questão que sua foto nua fizesse parte do material de divulgação.

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