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Moda francesa

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Morre aos 77 anos o estilista Azzedine Alaïa, "pequeno" rebelde da moda

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Azzedine Alaïa ficou conhecido no mundo da moda por esculpir o corpo da mulher. Patrick Demarchelier

O mundo da moda está de luto após o anúncio, neste sábado (18), da morte do estilista Azzedine Alaïa. Mestre da alta-costura, conhecido pela valorização do corpo das mulheres, ele tinha 77 anos de idade e 55 de carreira.


Famoso por seus vestidos ajustados, Alaïa foi um dos ícones da moda nos anos 1980-90, com peças que pareciam ser esculpidas no corpo das modelos. Mas além de um estilo reconhecido de longe, o estilista ficou célebre por nunca aderir ao sistema da moda e ao ritmo frenético das Fashion Week.

Desde o início de sua carreira, ele sempre desfilou quando considerava que sua coleção estava pronta para ser mostrada, independentemente da presença de jornalistas, compradores das lojas de departamentos ou celebridades. Mesmo assim, sua reputação ia bem além do calendário e seus desfiles estavam sempre entre os mais disputados de Paris.

Nos anos 1980, quando era moda entregar troféus para estilistas, Alaïa foi homenageado com dois “Oscars”. Apesar da popularidade, ele dificilmente dava entrevistas. Mas isso não impediu que sua imagem, sempre vestido com um traje preto em estilo asiático e sua pequena estatura (1m47), se tornasse emblemática na moda. 

Naomi Campbell dizia que Alaïa era seu "papai"

Essa rebeldia também se via na maneira como organizava sua empresa, instalada no bairro do Marais, onde artistas e modelos – como Naomi Campbell, que o chamava de "papai" – sempre passavam para almoçar, como se fossem à casa de um amigo.

Seu trabalho, considerado por muitos como verdadeiras esculturas, foi tema de várias exposições. Em 2013, o Palais Galliera, um dos dois museus da moda de Paris, escolheu a obra de Alaïa para marcar sua reabertura após quatro anos de reforma.

“Ele é um dos últimos costureiros, para não dizer talvez o último, que conhece todas as etapas da realização de uma roupa. Ele sabe cortar, costurar, fazer uma manga como ninguém”, comentou na época Olivier Saillard, que dirigia o museu parisiense.

Em 2015, a Galleria Borghese, em Roma, organizou uma exposição na qual confrontava os vestidos do costureiro e as obras de grandes pintores e escultores, como Rubens ou Antonio Canova que, como Alaïa, tentaram em algum momento de suas carreiras sublimar o corpo feminino. Um diálogo perfeito, já que o mestre das tesouras estudou Belas Artes na juventude, pensando em um dia se tornar escultor. 

"Nunca vi ninguém vestir um desenho"

Alaïa nunca aceitou a etiqueta de estilista, alegando que seu trabalho era costurar, e não desenhar. “Eu nunca vi ninguém vestir um desenho”, disse, com uma ponta ironia, em uma das poucas entrevistas que concedeu durante sua carreira.

"É um estillista de grande talento que nos deixa. É uma notícia muito triste", declarou à AFP o estilista Pierre Cardin. Já o ex-ministro da Cultura e atual presidente do Instituto do Mundo Árabe (IMA), Jack Lang, afirmou que "Azzedine sabia melhor do que ninguém como enaltecer as mulheres".

Alaïa nasceu na Tunísia e chegou a Paris nos anos 1960. Ele começou sua carreira na Maison Dior, dirigida na época por Yves Saint Laurent. O jovem assistente foi demitido cinco dias depois, por falta de documentos, antes de trilhar uma formação parisiense – ao lado de nomes como Guy Laroche e Thierry Mugler – e criar sua própria marca, que continua em plena atividade. 

Em julho passado, o costureiro apresentou uma elogiada coleção, que contou com sua musa Naomi Campell na passarela.