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Ativistas do Greenpeace escalam usina nuclear na França

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Um grupo de militantes do Greenpeace entrou, nesta terça-feira (28), na usina nuclear de Cruas-Meysse, no sudeste da França. wikimédia

Um mês e meio depois de uma ação na central nuclear de Cattenom, os ativistas do Greenpeace invadiram nesta terça-feira (28) a usina de Cruas-Meysse, no sudeste da França, para "alertar as autoridades sobre a vulnerabilidade das piscinas” onde são armazenados os combustíveis atômicos, após serem utilizados para gerar energia.


A ação do Greenpeace começou em torno de 6h20 da manhã, hora local (3h20 em Brasília) e terminou cerca de duas horas depois. A usina, operada pela companhia de energia da França (EDF), fica próxima ao rio Ródano e se localiza a cerca de 15 quilômetros ao norte da cidade de Montélimar, na região francesa conhecida como Drôme. A central é constituída por quatro reatores à base de água pressurizada.

Vinte e dois ativistas antinucleares investiram em três lugares diferentes, sendo que um primeiro grupo foi se encontrar com a polícia para "explicar" a ação, de acordo com o Greenpeace. O segundo grupo se dirigiu para um edifício ligado a um dos reatores da planta para escalá-lo e deixar impressões de mãos em seu exterior, para "denunciar sua acessibilidade". Finalmente, quatro ativistas se amarraram em um prédio que abriga uma piscina de combustível usado e acenderam sinalizadores de fumaça, de acordo com vídeos divulgados pelo Greenpeace.

"Alguns deles se amarraram realmente a um dos edifícios, houve uma pequena exibição de fogos de artifício. A ação terminou e 22 pessoas foram presas, uma investigação judicial está em andamento", declarou a administração da região de Ardèche. A Autoridade de Segurança Nuclear (ASN), um órgão independente, e a EDF, garantiram que essa intrusão "não teve impacto na segurança" das instalações, afirmando que "os intrusos permaneceram fora da zona nuclear".

Como sempre acontece com todas as ações do Greenpeace deste tipo, a EDF apresentará uma queixa à Justiça e condenou "ações violentas de um movimento multiplicando ações ilegais".

França tem 63 piscinas de combustível nuclear

"Queremos apontar as falhas de segurança nas piscinas de armazenamento de combustível usado, que são projetadas como edifícios convencionais, com pouca resistência. Seria suficiente fazer um buraco para provocar um incêndio com o combustível", afirmou Yannick Rousselet, responsável pela campanha antinuclear do Greenpeace, lembrando do risco de ataques terroristas na França. Segundo Rousselet, "a ASN confirmou que as piscinas de armazenamento de combustível irradiado são um problema real".

Em 10 de outubro deste ano, o Greenpeace apresentou um relatório especializado apontando para a baixa resistência dos edifícios que abrigam piscinas de armazenamento, que podem conter mais combustível que os núcleos do reator, mas não são protegidas como estes últimos por estruturas reforçadas, o que os colocaria em maior risco de ataques externos, de acordo com a ONG.

A França possui um total de 63 piscinas deste tipo nas suas usinas, bem como na fábrica de reprocessamento de La Hague e na planta de Creys-Malville.