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Ensinada na Sorbonne, hipnose complementa medicina na França

Por Márcia Bechara

Ainda pouco compreendida, a hipnose é hoje uma prática terapêutica cada vez mais utilizada pela medicina tradicional, especialmente na França. Conhecida por utilizar um fenômeno natural entre a vigília e o sono, a hipnoterapia é usada principalmente dentro de blocos cirúrgicos franceses e no tratamento clínico de certos problemas de saúde crônicos e ganhou até diploma de Hipnose Médica na renomada Sorbonne.

Segundo Jean-Marc Benhaiem, médico hipnoterapeuta no Centro de Tratamento da Dor de dois grandes hospitais de Paris, o Hôtel de Dieu e o Hospital Ambroise Paré, é possível tratar por meio da hipnose uma série de vícios, e não apenas aqueles ligados ao tabaco. "Tratamos também distúrbios alimentares variados e as dores crônicas. Também existem muitos casos de fobia, uma enorme demanda de tratamento de fobias... E pacientes de burn-out, ansiedade, o stress, e também pessoas com problemas digestivos, há inclusive um enorme estudo clínico sobre as colopatias e a síndrome do cólon irritado", explica.

Para Jean-Marc Benhaiem, que é também responsável pelo curso de Hipnose Médica na Sorbonne, no campus Pitié-Salpêtrière Paris 4, a hipnose é extremamente útil no pré-operatório de hospitais e clínicas, onde a percepção ampliada da realidade permite uma mudança de contexto e a perda do controle intelectual para entrar em um estado sensorial.

“Há uma primeira etapa, que parece com o relaxamento, onde existe uma desativação cerebral que mostra que a pessoa está se acalmando. Depois, há uma segunda etapa, que nos surpreende, que se trata de uma hiperativação de processos de atenção, o que mostra que a pessoa não está de jeito nenhum relaxando ou dormindo, mas, ao contrário, existe uma espécie de liberação de diferentes zonas cerebrais, onde a pessoa começa a resolver alguma coisa”, contextualiza o médico. 

Eficaz para doenças com causas emocionais, hipnose sofre preconceito no Brasil

Segundo Luiz Carlos Crozera, fundador do Instituto Brasileiro de Hipnologia e da Sociedade Brasileira de Hipnose Condicionativa, a hipnose é um tratamento efetivo para todas as doenças com causas emocionais. “Nós vamos na causa do problema para reverter os sintomas. Evita-se inclusive grande parte de cirurgias. E quando a cirurgia é necessária trabalhamos analgesia, anestesia, o pós e o pré-operatório, tudo isso é trabalhado através da hipnose”, afirma.

“A maioria dos problemas dermatológicos, por exemplo, elas provêm de fundo emocional. A maioria dos cânceres também. As doenças autoimunes praticamente todas elas provêm de fundo emocional, mas a indústria farmacêutica tem a resistência de tratar definitivamente o problema, buscando realmente a causa para reverter os sintomas. Eles tentam amenizar o sintoma apenas, focando todo o tratamento apenas nos sintomas”, detalha o especialista brasileiro.

No entanto, a hipnose no Brasil, cujas sessões podem custam entre 300 e 500 reais, ainda sofre preconceito por parte da medicina tradicional. “É difícil no campo da Medicina um médico encaminhar pacientes para tratamento através da hipnoterapia. Mas com o tempo, com a mudança do estado de consciência das pessoas, elas estão buscando alternativas, as pessoas precisam de maior rapidez nos tratamentos, que geralmente duram anos e têm efeitos colaterais”, diz Crozera.

Curar doenças com "recursos próprios"

“Quando somos médicos, vemos que os medicamentos têm limites. Se a cada vez que alguém tem insônia lhe damos um sonífero, se a pessoa tiver dor lhe dermos um analgésico, se ela estiver deprimida lhe dermos um antidepressivo... Mas, essa pessoa não tem recursos próprios? Não poderíamos mobilizar estes recursos? Então, a ideia da hipnose é essa, mobilizar alguém que estava passivo em relação a seu problema de saúde, a hipnose vem ativar alternativas próprias para sair do sofrimento”, afirma o médico e professor francês Jean-Marc Benhaiem.

Segundo Benhaiem, o diploma universitário de Hipnose Médica na Sorbonne é cada vez mais procurado por profissionais de saúde na França, como cardiologistas, geriatras, dermatologistas, pediatras, clínicos gerais, parteiras e dentistas.

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