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Macron condena teste norte-coreano e escravos na Líbia em entrevista exclusiva à RFI

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Emmanuel Macron sendo entrevistado por Christophe Boibouvier, da RFI, e Roselyne Fevre, da France 24. REUTERS/Ludovic Marin/Pool

Emmanuel Macron falou nesta quarta-feira (29) à Rádio França Internacional (RFI) e o canal de TV France 24, em sua primeira entrevista exclusiva sobre a política internacional da França desde sua eleição em maio. Entre os assuntos abordados estava a questão do tráfico humano na Líbia e o novo lançamento de míssil de Pyongyang.


A entrevista aconteceu em Abidjan, Costa do Marfim, antes da reunião de emergência sobre a crise de escravos na Líbia, à margem da cúpula eurafricana que acontece na capital marfinense. Macron, que visita vários países da África, disse que o tema do encontro paralelo seria a respeito de iniciativas concretas – “militares e policiais” - para desmantelar as redes de traficantes de pessoas.

“O que acontece na Líbia é um crime contra a humanidade que devemos denunciar e empreender ações a respeito”, disse. O presidente também evocou, como objetivo, que os traficantes sejam punidos por sanções – econômicas e de trânsito internacional - sob a égide da ONU.

Ele insistiu que a operação seja uma parceria entre Europa e África: “Não podemos apenas denunciar e não fazer nada a respeito”. Macron lembrou que os traficantes “estão ligados a numerosas redes terroristas” e muitas vezes “alimentam, financiam ou são eles mesmo que nos atacam”.

Piada polêmica

Questionado sobre o retrocesso da democracia no continente africano, Macron citou Burkina Faso como um exemplo de “escolha pela democracia”. Ele também lembrou que vem se empenhando para que o presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, convoque eleições no país, mergulhado numa crise política acentuada pela permanência de Kabila no poder, após o fim estipulado de seu mandato em 2016 e a recusa dos resultados do pleito que deu vitória à oposição.

O líder francês qualificou de “ridícula” a polêmica em torno do presidente de Burkina Faso, Roch Marc Christian Kaboré. Na véspera, enquanto falava a estudantes, Macron viu que Kaboré saía da sala e então declarou que o líder africano estava indo consertar o ar-condicionado. “É como se não se pudesse fazer humor com um líder africano. É possível rir de si mesmo e dos outros”.

Indagado a respeito dos assassinatos de Ghislaine Dupont e Claude Verlon, da RFI, há quatro anos, no Mali, até hoje um crime não resolvido, Macron declarou: “São duas vozes que fazem falta e vamos elucidar o que há para ser elucidado”.

Sobre o novo teste de míssil norte-coreano, Macron disse contar com a Rússia e China, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, para impor novas sanções a Pyongyang. “Condeno o lançamento com veemência e devemos aumentar as punições”, disse.