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França Emmanuel Macron Barack Obama

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Macron recebe seu “mentor” Obama em Paris

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Retrato oficial de Emmanuel Macron foi inspirada na de Obama. Palácio do Eliseu/ Casa Branca

O presidente francês, Emmanuel Macron, aproveitou a vinda do ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama a Paris para convidá-lo para almoçar no palácio do Eliseu neste sábado (2), o primeiro tête-à-tête entre os dois homens. Macron não nega a admiração pelo líder democrata – em quem buscou inspiração até para a sua foto presidencial oficial.


Obama vem à capital francesa para uma disputada conferência privada frente ao chamado clube dos Napoleões – que reúne personalidades da comunicação e inovação. O americano separou espaço na agenda para uma visita à prefeitura de Paris, uma reunião com o ex-presidente francês François Hollande e o “almoço privado” com Macron, que durou duas horas, de acordo com o serviço de comunicação do palácio.

O Eliseu não deu mais detalhes sobre o encontro – preferiu manter a discrição e evitar constrangimentos com o atual chefe da Casa Branca, Donald Trump, com quem Macron conseguiu estabelecer uma relação diplomática promissora, apesar das divergências. O francês, porém, nunca escondeu o fascínio por Obama.

Desde a campanha presidencial, a imprensa francesa nota que a promessa de renovação da política, a estratégia de comunicação planejada em cada detalhe e o uso das redes sociais são algumas das fontes de inspiração que Macron tirou diretamente do popular ex-presidente americano.

Da foto oficial aos pulinhos nas escadas

A foto presidencial do líder de 39 anos, por exemplo, rompe com a formalidade habitual dos chefes de Estado franceses e mostra Macron mais descontraído, sorridente, à frente da sua mesa de trabalho, reposicionada em frente aos jardins do Eliseu – como no salão Oval americano. A semelhança com o retrato oficial de Obama é incontestável.

Desde então, novos exemplos não faltam: Macron transforma a assinatura de decretos importantes em eventos midiáticos, convocou uma reunião extraordinária do Congresso no Palácio de Versalhes – uma referência ao tradicional e solene Discurso sobre o Estado da União, feito pelo presidente americano uma vez ao ano – e até passou a pular vários degraus ao subir as escadarias do Eliseu, como costumava fazer Obama na Casa Branca.

Diante da repercussão nem sempre positiva, nos últimos tempos o presidente francês desacelerou nesse “estilo Obama”, como nota o jornal Le Parisien. Ele parou, por exemplo, de cantar o hino nacional com a mão sobre o peito e os olhos fechados, como fazia o ex-presidente dos Estados Unidos.

Silêncio sobre o preço da conferência

Neste sábado (2), a imprensa francesa também tenta desvendar quanto custou a vinda do famoso líder a Paris. O jornal Canard Enchaîné evoca a soma de 400 mil euros, valor semelhante ao pago a Obama por uma conferência no banco de investimentos Northern Trust, em Nova York. O sigilo sobre o preço exato está determinado no contrato de confidencialidade assinado entre os Napoleões e Obama – um convite que demorou quase três anos para ser confirmado.

Com a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, Obama abordou a questão climática e acertou a aproximação entre a sua Fundação Obama e a C40, organização que regrupa 90 das maiores cidades do planeta, comprometidas contra o aquecimento global. Ele disse confiar “na ação dos prefeitos e das cidades” para colaborar na luta contra as mudanças do clima.

Prefeita de Paris, Anne Hidalgo, foi menos discreta e publicou foto ao lado de Obama, neste sábado (2). Twitter/ @annehidalgo

O tema também foi um dos tópicos sobre “a situação internacional” evocados durante a conversa com François Hollande, ocorrida após o almoço com Macron. Segundo próximos do francês informaram à agência AFP, os dois ex-presidentes concordaram que o Acordo de Paris sobre o clima criou um movimento internacional “irreversível” pela proteção do planeta.

Obama e Hollande se reuniram no hotel no qual o americano está hospedado em Paris. Eles conversaram sobre “suas respectivas fundações”, que colocam “a juventude” em primeiro plano.

Com informações da AFP