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Língua portuguesa terá espaço de promoção em Paris

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Em cerimônia na Sorbonne, Isabelle de Oliveira lança o Instituto do Mundo Lusófono (IMLus). RFI

Um amplo espaço de promoção da língua portuguesa será aberto em Paris no próximo ano. O Instituto do Mundo Lusófono (IMLus) foi lançado nesta quinta-feira (7), no suntuoso anfiteatro da universidade Sorbonne, em meio a três dias de programação do Congresso da Lusofonia e a Francofonia: Duas Potências Mundiais.


“Em 2015, chegamos à conclusão de que havia vários institutos das diferentes línguas em Paris, mas não havia um instituto do mundo lusófono – o que era uma grave lacuna. Ele terá várias vertentes, mas o essencial é a formação, a educação e a pesquisa, para difundir cada vez mais as nossas culturas lusófonas e a nossa língua comum”, explica a presidente do IMLus, Isabelle de Oliveira, professora da Sorbonne Nouvelle.

Por enquanto, o instituto é uma plataforma digital que reúne iniciativas de difusão da lusofonia nos mais variados aspectos: cultural, educacional, acadêmico, esportivo, político, econômico e social.  O espaço físico definitivo para a implementação do projeto na capital francesa ainda está sendo negociado.

Oliveira nota que são as sociedades civil e empresarial que encabeçam a criação do IMLus, um organismo independente que busca a colaboração dos governos dos nove países nos quais o português é a língua oficial. “Hoje, quem carrega a lusofonia são os acadêmicos, artistas, escritores, esportistas. Esses abraçaram imediatamente a nossa causa, muito mais do que os políticos”, lamentou.

Português, potência mundial

“Nos quatro continentes 261 milhões de pessoas falam português. Em 2058, seremos 380 milhões. Somos a língua mais falada em todo o hemisfério sul e a terceira mais usada no Facebook”, observou Maria Fernanda Rollo, secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior de Portugal, presente na inauguração.

Os participantes do congresso ressaltaram a importância da promoção de outras línguas oficiais além do inglês nos documentos, publicações e fóruns de negociações internacionais – uma batalha comum para o português e o francês. “A época do ‘tudo em inglês’ é um desafio para a democracia. A francofonia e a lusofonia são duas potências mundiais”, ressaltou Loïc Depecker, da Agência da Língua Francesa. “Sabemos que as línguas constituem mais do que um veículo de comunicação verbal. Elas carregam valores, ideias, modos de pensar, saber e fazer. Por isso, devem ser preservadas e promovidas”, completou Maria do Carmo Silveira, secretária-executiva da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O foco das atividades do IMLus será na França, onde vivem estimados 2 milhões de portugueses e descendentes. Mas o objetivo é se tornar um organismo de referência da língua na Europa, em toda a sua diversidade. “O Brasil pode ser menor em população presente em Paris, mas é um gigante da lusofonia – e não vamos esquecer isso. Estive recentemente em São Paulo e pensamos até em criar uma parte do Museu da Língua Portuguesa no instituto”, conta Oliveira.