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Um pulo em Paris
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França estuda proibir redes sociais para menores de 16 anos

Por Adriana Moysés

O ministro da Educação francês, Jean-Michel Blanquer, confirmou esta semana que o uso de smartphones será totalmente proibido para os alunos do ensino fundamental, do 1° ao 9° ano, a partir do início do próximo ano letivo, em setembro de 2018.

Oito em cada 10 adolescentes franceses possuem um smartphone, segundo estudos, e utilizam o aparelho nas escolas. Além disso, o governo também prepara um projeto de lei que irá proibir a abertura de contas nas redes sociais aos menores de 16 anos sem a autorização expressa dos pais.

Várias hipóteses estão em estudo no ministério da Justiça. As redes sociais mais utilizadas pelos adolescentes franceses – Facebook, Snapchat e Instagram, por exemplo – se veriam obrigadas a pedir aos pais uma cópia da carteira de identidade do jovem. Outra ideia é organizar uma videoconferência de controle com os pais do adolescente e a instalação de ferramentas de controle de conteúdo para proteger a navegação. Mas associações de proteção à infância estão pessimistas em relação à viabilidade das medidas. Especialistas alertam que não existem atualmente meios confiáveis para validar a identidade e a autenticidade de qualquer pessoa na internet.

Jovens franceses cada vez mais conectados

Na França, cerca de 77% dos adolescentes de 13 a 19 anos possuem um perfil no Facebook. A maior preocupação dos especialistas é que os jovens crescem atualmente compartilhando tudo o que fazem nas redes sociais, sem a menor preocupação de proteger a vida privada, sua intimidade e os dados pessoais, utilizados depois para fins publicitários. Cerca de 10% dos franceses em idade escolar já apresentaram queixas de bullying e assédio pela internet. Os casos de suicídio de crianças e adolescentes que justificam seu gesto por causa de problemas de imagem nas redes sociais tem aumentado.

Até pouco tempo atrás, havia na França uma espécie de consenso entre os pais de só equipar os filhos com um smartphone a partir do 5° ano, aos 11 anos em média, quando geralmente a criança passa a ir sozinha para a escola, seja a pé ou usando um transporte coletivo. No entanto, o fenômeno foi se ampliando e cada vez crianças mais novas, a partir de 7 ou 8 anos, possuem um telefone celular.

Por lei, o uso de smartphones e tablets já é proibido na França "durante toda a atividade de ensino e nos locais previstos pela regulamentação interna" de cada escola. Mas a regra nem sempre é respeitada na prática. Na teoria, os celulares deveriam ficar dentro das mochilas. Porém, durante os intervalos de recreação, os adultos perdem o controle. Nesses momentos, os alunos assistem a vídeos com imagens violentas - acidentes de trânsito, brigas, cenas de massacres e guerras -, têm acesso à pornografia e assediam colegas. Nessas horas, não há o menor controle dos adultos.

Proibição gera polêmica e divide opiniões

Se por um lado professores reconhecem que os jogos, a música e a atividade nas redes sociais prejudicam a atenção dos alunos na sala de aula, muitos educadores consideram o uso do celular como um fenômeno de sociedade, sendo mais pertinente ensinar as crianças a utilizá-lo corretamente e a respeitar limites do que simplesmente proibir o porte do aparelho. O aspecto impositivo e principalmente o fato de ser impossível fiscalizar cada aluno em sala de aula compromete, segundo alguns educadores e associações de pais de alunos, a credibilidade da proposta.   

Outros aprovam a decisão do governo. Nessa ala estão principalmente profissionais de saúde. Alarmados, médicos citam estudos internacionais que demonstram que a exposição prolongada às imagens e o uso desenfreado de tecnologias por crianças podem causar danos ao desenvolvimento cognitivo e neurológico dos jovens. Estudos mostram que a partir de 6 anos, a exposição exagerada aos tablets e smartphones cria problemas de atenção, concentração e de sono. Mais tarde surgem problemas de raciocínio.

Forma-se, entretando, um círculo vicioso: os pais acabam aceitando comprar celulares para seus filhos para que eles não sejam socialmente isolados da maioria dos outros alunos nas escolas. O aspecto contraditório é que as crianças acabam se isolando ao utilizar sem controle as redes sociais (Facebook, Snapchat, Instagram).

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