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Brasil marca presença no cenário artístico francês em 2017

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Sebastião Salgado, em Paris (8/11/17). Foto: Patricia Moribe

Da fotografia à música, do cinema às artes plásticas, passando pela dança e pela literatura, o Brasil fez bonito no cenário artístico da França no ano que passou.


O fotógrafo Sebastião Salgado, que dispensa apresentações, virou imortal das artes na França ao entrar no seleto clube da Academia de Belas Artes. “Tenho a nacionalidade francesa, mas reivindico ser brasileiro”, declarou o acadêmico no discurso de posse. Salgado chegou a ter três exposições simultâneas em Paris: uma sobre o mundo do café, outra sobre as mulheres no mundo e uma coletânea. No momento, Salgado trabalha em um novo grande projeto sobre a Amazônia.

A RFI Brasil também recebeu fotógrafos consagrados que participaram da feira Paris Photo, como Cláudio Edinger e Bob Wolfenson.

Perfume de um sonho. Seleção de café de alta qualidade para exportação. Plantação de café Allana, Estado de Karnataka, Índia, 2003. © Sebastião Salgado / Amazonas images

Cinema

Depois de passar pela Quinzena dos Realizadores em Cannes, “Gabriel e a Montanha”, de Fellipe Barbosa, entrou no circuito comercial francês com grande sucesso e críticas excelentes. O diretor tomou como fio condutor a viagem iniciática de um amigo de infância na África. Ele mergulha no mundo de Gabriel e retraça seus últimos passos de uma morte anunciada já no início do filme, colocando em cena personagens que cruzaram de verdade com o aventureiro.

Um ano depois de mostrar “Aquarius” na competição oficial e pedir a saída de Temer no tapete vermelho no Palais des Festivals, Kléber Mendonça Filho voltou a Cannes como presidente do júri da Quinzena dos Realizadores. Em outra ocasião, ele falou à RFI Brasil sobre seu novo projeto, o faroeste sertanejo “Bacurau”.

O cinema brasileiro também marcou presença em outros festivais. “No Intenso Agora”, de João Moreira Salles, ganhou o prêmio SCAM, no Festival do Real de Paris. O evento também apresentou outros documentários brasileiros e uma retrospectiva de Andrea Tonacci, morto em dezembro de 2016, um dos principais nomes do chamado Cinema Marginal.

“Como Nossos Pais”, de Laís Bodanszky, recebeu o prêmio do público na 19a edição do Festival de Cinema Brasileiro de Paris. “Cine São Paulo”, de Ricardo Martensen e Felipe Tomazelli, ganhou o prêmio de melhor documentário no Festival Biarritz América Latina, em outubro. No Cinelatino de Toulouse, dois documentários tiveram destaque: "Histórias que Nosso Cinema (Não) Contava", de Fernanda Pessoa, e "Sexo, Pregações e Política", dos franceses Aude Chevalier-Beaumel e Michael Gimenez.

Affiche du film «Gabriel et la montagne» de Fellipe Barbosa qui sort ce mercredi 30 août sur les écrans français. Version Originale/Condor

Teatro

A carioca Christiane Jatahy fez sua estreia no templo francês do teatro, a Comédie Française, levando para o tablado um clássico do cinema francês, “La Règle du Jeu”, de Jean Renoir. A leitura contemporânea e inventiva de Jatahy contou com a atuação das grandes estrelas da instituição, mas as críticas não foram tão entusiasmadas. Sempre dialogando com os clássicos, foi a quarta montagem da diretora em Paris, depois de “Júlia”, inspirada em “Senhorita Júlia”, de Strindberg, “E Se Elas Fossem Para Moscou?”, baseada em “As Três Irmãs”, de Tchecov, e “A Floresta que Anda”, uma releitura de “Macbeth”, de Shakespeare.

A França também é palco de um sucesso brasileiro internacional, “Apareceu a Margarida”, de 1973, que se transformou aqui em “Madame Margueritte”. A primeira montagem francesa aconteceu há mais de 40 anos e a peça está de volta a Paris. O dramaturgo carioca Roberto Athayde contou à RFI Brasil a história desse monólogo, ícone da resistência à ditadura no Brasil, e que ficou marcado pela interpretação de Marília Pêra, no Rio de Janeiro.

A RFI Brasil conversou também com Juliana Carneiro, companheira e atriz fetiche de Ariane Mouchkine, um dos principais nomes da dramaturgia francesa. Juliana falou sobre seus 26 anos junto ao mítico Théâtre du Soleil e sobre a nova  produção de Mouchkine, “Une Chambre em Inde”. Com outros projetos, Juliana Carneiro não atuou nessa peça, mas participou da concepção e nos falou a respeito.

Ensaio da peça "Regra do Jogo" na Comédie-Française, em montagem feita pela brasileira Christiane Jatahy Divulgação Comédie-Française/© Henrique Mariano

Literatura

O Brasil marcou presença no Salão do Livro de Paris e também através da Primavera Literária do Brasil, iniciativa de Leonardo Tonus, que trouxe mais de 30 escritores brasileiros para falar da produção nacional ao público francês.

Por conta desses eventos e ao longo do ano, a RFI Brasil recebeu nomes ligados à literatura brasileira, como a editora Paula Anacaona, os livreiros Michel Chandaigne e Anna Lima, Conceição Evaristo e Bernardo Carvalho.

Artes Plásticas

A Bienal de Lyon deu destaque a quatro grandes nomes da arte contemporânea no Brasil: Lygia Pape, Cildo Meirelles e suas instalações de porte, Rivane Neuenschwander e Ernesto Neto.

Em Paris, durante a Fiac (Feira Internacional de Arte Contemporânea), o artista Artur Lescher expôs pela primeira vez no Palais d’Iéna e foi também entrevistado pela RFI Brasil.

Já o espaço Maison Rouge, que fecha as portas em 2018, trouxe o “Manto da Apresentação”, de Arthur Bispo do Rosário, para a mostra "Inextricabilia - Emaranhados Mágicos". Em torno da temática das coisas enredadas, a exposição apresentou obras da arte sagrada ocidental, arte ritual africana, arte bruta, arte contemporânea e arte popular.

Vista lateral do Manto da Apresentação, diante dos trajes com tiras de pano de chão trançadas, do italiano Giuseppe Versino Inextricabilia/Marc Domage

Música

A música brasileira tem lugar de honra no cenário cultural francês desde sempre. Uma figura frequente, por exemplo, é Seu Jorge, que neste ano apresentou seu cover de músicas de David Bowie, retomando seu personagem Pelé dos Santos no filme “A Vida Marinha com Steve Zissou” de Wes Anderson. Com shows em Paris e em Vienne, ele conversou com o público em francês, contou causos e arrancou muitos aplausos.

Também foram nossos convidados artistas como Margareth Menezes, Elba Ramalho e Raul Mascarenhas, entre outros.

Na música lírica, o jovem paraense Atalla Ayan interpretou Rodolfo, papel principal de La Bohème, na Ópera Bastilha. A direção artística, a cargo do alemão Claus Gurth levou vaias até o último dia, por causa da ousadia de transportar a Paris boêmia do final do século 19 para o espaço intergaláctico.

Outra representante do bel canto, a paulista Camila Titinger, participou de um concurso lírico em Paris e também veio aos estúdios da RFI falar sobre seu trabalho.

Dança

A coreógrafa Lia Rodrigues voltou a Paris com “Pindorama”, que estreou na França em 2003. Ela contou à RFI sobre os novos sombrios tempos da cultura no Brasil pós-golpe.

No Festival de Outono de Paris, o paraibano Marcelo Evelin, baseado na Holanda, apresentou “Dança Doente”. Ele também esteve na 37ª edição do Montpellier Danse, que trouxe outros espetáculos com tons brasileiros, como “Nós, tupi or not tupi”, do francês Fabrice Ramalingom, com dançarinos brasileiros.

O enfant terrible da dança contemporânea Jérôme Bel, que já apresentou dez de seus espetáculos no Brasil, falou com a RFI Brasil sobre o nu, a onda de moralismo no Brasil e sobre “Isabel Torres”, uma versão brasileira de seu trabalho “Véronique Doisneau”.