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França evitou 13 atentados em 2017, revela Le Figaro

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França ainda está no alvo dos terroristas. REUTERS/Vincent Kessler

Mesmo se o grupo Estado Islâmico sofreu uma derrota importante na Síria, a ameaça está longe de acabar na França. O jornal Le Figaro desta sexta-feira (29) revela que 13 atentados foram desmantelados em 2017 e que os serviços antiterroristas do país "não descansam nunca". Ao mesmo tempo, conta o diário, a volta dos 308 jihadistas franceses para casa continua a ser uma prioridade para as autoridades, cerca de 280 deles teriam morrido combatendo ao lado dos extremistas.


Em reportagem de duas páginas, Le Figaro conta como a França se organiza frente à ameaça terrorista e como vai à caça dos jihadistas franceses fora de seu território. Para o jornal, o grupo Estado Islâmico cria uma "nuvem de ameaças" sobre a França apesar da "enorme derrota" nas zonas de combate do Oriente Médio.

"Quase nenhum dia se passa sem que o espectro de um novo ataque seja descartado pelos serviços antiterroristas. Apuramos junto à Direção Geral da Segurança Interna (DGSI) que, justo dois dias antes do Natal, dois islamistas radicais foram interrogados pela polícia, respetivamente um jovem de 21 anos e uma moça de 19, em Paris e Lyon", conta Le Figaro.

"Muito ativos nas redes sociais e em contato com membros do grupo Estado Islâmico na zona sírio-iraquiana, eles panejavam agir cada um do seu lado. Nenhuma ligação foi encontrada entre eles", revela o jornal.

O diário francês conta ainda que dois recrutadores foram presos recentemente no norte da França. "Ambos são conhecidos como verdadeiras bases do grupo Estado Islâmico no país e divulgam um grande número mensagens de propaganda do grupo extremista no aplicativo Telegram, o preferido dos jihadistas. Durante um mês, e sempre durante muitas horas por dia, eles enviavam mensagens, imagens e vídeos fazendo apologia do grupo estado Islâmico em chats que reuniam entre 30 e 50 membros cada", publica Le Figaro

Atores isolados e micro-grupos: de onde vem a ameaça

Segundo uma fonte policial entrevistada pelo jornal, "o problema vem sempre de atores isolados ou de micro-grupos". É o caso de Abdel, de 31 anos, preso pela polícia francesa. Sempre em contato com jihadistas na Síria, ele promovia discussões de propaganda extremista em mais de 10 grupos diferentes do Telegram. "Récem-chegado do Egito em agosto, ele ainda mantinha vários fóruns clandestinos de discussão quando foi capturado pela polícia francesa", relata o Figaro.

"Mesmo se assistimos o fim do grupo jihadista no Oriente Médio, não podemos simplesmente liquidar uma ideologia com golpes de drones e forças especiais", reclama uma fonte das forças especiais antiterroristas francesas ao jornal. 

"Ainda que a derrota na Síria diminua as possibilidades de um ataque de estrutura militar, como o do Bataclan, o problema vem dos atores isolados. Os islamistas responsáveis pelo doutrinamento continuam super ativos nas redes sociais", finaliza Le Figaro, dizendo que as forças de segurança francesa possuem, em seu radar nada menos que "quatro mil suspeitos", no meio dos quais pode se encontrar "uma ameaça da qual ninguém consegue ainda enxergar o fim".