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Apenas 12% de deficientes visuais usam braille na França

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Escrevendo em braille em uma escola francesa. Raphaël Constant

Como todos os 4 de janeiro, desde 2001, hoje é o Dia Mundial do Braille. Na França, onde foi criado o método, apenas 12% de deficientes visuais utilizam o código de leitura e escrita.


A reportagem da RFI foi visitar a associação Valentin-Haüy, em Paris, que tem como uma de suas principais missões a promoção do código alfabético tátil. A instituição oferece cursos, publicações e uma midiateca rica em obras em braille.

O método foi criado pelo francês Louis Braille, que perdeu a visão em um acidente de infância. Em 1824, aos 15 anos, o jovem desenvolveu um código para o alfabeto francês, publicado em 1829, com notações musicais. Uma segunda edição, de 1837, se tornou a primeira forma binária de escrita desenvolvida na era moderna. A leitura se faz através de relevos no papel.

Prazer de ler um livro

Siré Dieme sofre da síndrome de Peters, doença rara que a tornou cega aos 4 anos. Ela aprendeu o braille cinco anos depois, na escola. “Foi um prazer aprender, me ajudou a descobrir coisas e, principalmente, não precisava mais esperar por alguém para me ler um livro”, contou à RFI.

Hoje Siré trabalha na midiateca da associação Valentin Haüy. “Temos muitos livros”, explica. “São mais de sete mil títulos em braille, incluindo os clássicos, como Zola e Balzac. Tentamos ter tudo o que as outras midiatecas oferecem, obras que qualquer pessoa – válida ou inválida – tenha interesse em ler”, conta.

Graças ao desenvolvimento de novas tecnologias, a vida de leitores com visão comprometida mudou muito. O primeiro tablet em braille surgiu em 2016. “Existem agora teclados de tamanho razoável. É possível se conectar, por exemplo, na internet, baixar um livro e depois lê-lo com os dedos, em versão braille”, explica Siré.

Um total de 19 mil utilizadores estão inscritos na midiateca da associação. Eles vêm consultar livros no local ou levam para casa. Os frequentadores também podem baixar a versão em áudio dos conteúdos por internet.

Pessoa cega usando braille para navegar na internet. Pallava Bagla/Corbis via Getty Images