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Um pulo em Paris
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Comprar na temporada da liquidação é um ritual nacional na França

Por Adriana Moysés

A febre de consumo do Natal já passou, mas os franceses economizaram no fim do ano – muitos deixaram até uma parte do 13° salário de lado – para gastar durante a temporada de liquidação de inverno que começa dia 10, na próxima quarta-feira, e vai durar um mês e meio.

É o único período do ano em que os lojistas são autorizados a vender abaixo do preço de custo. Então vale mesmo a pena. Comprar pelo menor preço se tornou um ritual até para os franceses ricos. Ninguém tem vergonha de contar num jantar entre amigos os bons negócios que fez na liquidação. É sinal de consumo consciente, uma espécie de educação que os franceses adquiriram para valorizar o que ganham, rentabilizando o fruto do trabalho. No ano passado, 39% dos franceses fizeram compras no primeiro dia da liquidação de inverno.

Os descontos variam de 20% a 75% e aumentam com o passar das semanas. Para aumentar o apelo, os cartazes apontando 50% de redução são os mais comuns. Os produtos mais vendidos costumam ser roupas e calçados, artigos esportivos, produtos de beleza, eletroeletrônicos e produtos para casa.

Famílias com crianças, por exemplo, se programam para comprar roupas para os pequenos que duram o ano inteiro. Mães estocam um tamanho maior, só para garantir a vantagem do preço baixo da liquidação. Algumas pessoas – homens principalmente –, menos consumistas, vão às compras apenas nessa época do ano. Os mais consumistas, que fazem questão de ter "a" peça da moda, chegam a passar nas lojas um ou dois dias antes do primeiro dia da liquidação para esconder o modelito num canto, atrás de uma arara ou em uma prateleira alta. Vale tudo para "reservar" a compra e garantir a boa numeração. Tirar o melhor proveito da temporada de liquidação é quase um esporte nacional na França. As pessoas desenvolveram método e estratégia.

Regras rígidas

Existem duas temporadas anuais de liquidação, com datas precisas – seis semanas no verão e seis semanas no inverno –, fixadas pelo Ministério da Economia. Utilizar o termo "liquidação" fora do período oficial pode resultar em multa para o lojista de até € 75.000 (cerca de R$ 285.000). A fiscalização é intensa. O objetivo é desovar o estoque. Não é possível comprar produtos para pôr à venda na liquidação e, com isso, aumentar o faturamento. Os fiscais conferem as notas dos fabricantes. O produto a preço reduzido tem de estar no estoque há mais de um mês.

Viver num país com as quatro estações do ano bem definidas tem um custo: exige roupas adequadas para cada uma delas. Na França, as lojas renovam a cada três ou quatro meses as roupas em exposição. Para abrir espaço às novidades e atrair clientes, o lojista dispõe de duas ferramentas além da liquidação: as promoções pontuais e as vendas privadas, dirigidas aos clientes previamente cadastrados.

Vendas privadas ganham espaço

Os programas de fidelização de clientes ganham cada vez mais espaço na França. Com acesso direto ao cliente pelo celular, e-mail ou pelo correio, as marcas organizam "vendas privadas" rapidamente. Essa ferramenta personalizada está muito em voga e dá aos consumidores de marcas mais caras da moda a sensação de serem privilegiados, por poderem comprar produtos de qualidade com desconto e no auge da estação.

As vendas privadas acontecem o ano inteiro e já começam a superar as liquidações. Do lado de fora da loja, não há nenhum sinal de promoção. As peças com desconto são reconhecidas por adesivos coloridos, um ponto vermelho, por exemplo, ou um laço de fita dourada. Só o cliente com cartão de fidelidade é premiado com o desconto.

Os lojistas aguardam o primeiro dia da temporada de liquidação com ansiedade: em janeiro do ano passado, 20 milhões de franceses saíram no frio para renovar o guarda-roupa. Com os recentes sinais de aquecimento da economia, a liquidação de inverno de 2018 promete ser um sucesso de vendas.

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