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Imprensa discute se Macron deve repatriar jihadistas franceses

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O governo francês foi notificado sobre pouco mais de 30 jihadistas franceses presos até o momento na Síria e no Iraque. ZUMA PRESS/MAXPPP

A imprensa francesa desta sexta-feira (5) se concentra em uma delicada questão na França: o retorno dos jihadistas franceses que integraram as trincheiras do grupo Estado Islâmico na Síria e no Iraque.


Uma grande matéria publicada pelo jornal Libération retrata a dificuldade do governo francês de lidar com questão. "O que fazer com os jihadistas franceses presos no Iraque e na Síria? É preciso que eles sejam julgados lá ou na França? É preciso repatriar as mulheres e seus filhos e deixar os homens?", pergunta o diário.

Libération lembra que, em novembro, o presidente francês Emmanuel Macron garantiu que analisaria caso por caso. Mas, na quinta-feira (4), o porta-voz do governo, Benjamin Griveaux, afirmou que jihadistas francesas presas no Curdistão sírio poderiam ser julgadas no local, caso as instituições judiciárias pudessem garantir um processo justo.

De acordo com dados do governo, há atualmente pouco mais de 30 extremistas franceses presos na Síria e no Iraque atualmente; a maioria são mulheres e seus filhos. Libé lembra que esse número deve aumentar nos próximos dias, com a retomada, pelas forças sírias e iraquianas, do território que esteve nas mãos do grupo Estado Islâmico.

O jornal ressalta que em 2017, pouco mais de dez jihadistas franceses voltaram para o país. O serviço de inteligência da França também se preocupa com os extremistas que tentam migrar agora para outras áreas dominadas pelo grupo Estado Islâmico, no Egito, Iêmen, Afeganistão e sudeste da Ásia.

França quer se livrar dos jihadistas, dizem advogados

Em outra matéria, Libération entrevista dois advogados que defendem jihadistas franceses presos na Síria e no Iraque e trabalham sobre a questão do retorno destes extremistas à França. Para os dois magistrados, o governo francês quer se livrar destes cidadãos a qualquer custo.

Por isso, para eles, é fundamental que, primeiramente, os filhos dos jihadistas sejam repatriados, e depois, que os cidadãos que integraram as trincheiras do grupo Estado Islâmico tenham a garantia de passar por um julgamento na França e evitar que sejam condenados à pena de morte nos locais onde foram presos.

Desespero dos pais e mães

O jornal Le Figaro trata de um outro drama envolvendo a questão: o desespero dos pais e mães destes extremistas. "Sofrimento, raiva e dilema", diz a manchete do diário. O fenômeno é grave e atinge famílias de todas as origens e condições sócio-econômicas. Não são casos isolados, como antes se imaginava, mas centenas de franceses e francesas que deixaram seus lares para integrar as trincheiras jihadistas. "De repente, a França se deu conta que qualquer pai e mãe poderia passar por essa situação", salienta.

Por isso, para Le Figaro, é essencial que a França escute essas famílias que têm algo a dizer sobre a realidade do islã radical, seus modos de influência e ação. "Pior que o sofrimento e o estresse desses pais, as incertezas deles em relação a seus filhos se tornaram ainda mais insuportáveis devido ao sentimento de solidão" pela falta de apoio e o desdém do Estado, conclui Le Figaro.