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Yoga: de filosofia de vida a moda nas redes sociais

Por Claudia Giuza Mercier

Disciplina milenar, até então praticada por pessoas consideradas “zens” e agora reconhecida pela ciência. O yoga, ou yoga, tem feito milhões de adeptos no mundo inteiro. A modalidade virou moda nas academias de ginástica, entre as celebridades e também invadiu as empresas, escolas e até mesmo as prisões francesas. No Instagram, a hashtag #namaste tem quase 12 milhões de adeptos.

Somente na França, estima-se que 3 milhões de pessoas façam yoga. Nas escolas e universidades do país, cerca de 270 mil alunos são adeptos da disciplina.

Em uma reportagem especial de 18 páginas, a revista semanal francesa Le Point mostra a evolução da prática, que tem seus primeiros registros datados em 1500 antes de Cristo, quando era praticada por ancestrais das florestas hindus.

Com o movimento hippie, a sabedoria indiana ganhou os Estados Unidos e começou a se profissionalizar. Em 2016, o yoga foi escrito na lista do patrimônio cultural imaterial da humanidade.

Benefícios comprovados

Mas os pranayamas - a respiração, e os asanas - as posturas, que fazem parte da raiz do yoga, foram incorporados a inúmeras vertentes como aulas sob temperaturas de 40 graus, posturas aéreas com tecidos, e, até mesmo, o nude yoga.

A primeira pesquisa que comprovou os benefícios do yoga para a saúde como um todo foi publicada em 1924. Na época, os indianos queriam provar aos ingleses a eficácia dessa ciência milenar.

Atualmente, cerca de quatro mil estudos científicos evidenciam os benefícios do yoga. Pesquisadores australianos publicaram recentemente um estudo que mostra os efeitos da prática em pacientes com câncer de mama. Os resultados comprovaram a melhora na qualidade de vida, a diminuição da ansiedade, a melhora do sono e o reforço do sistema imunitário. Os cientistas afirmam que praticar yoga duas vezes por semana reduz consideravelmente os sintomas da depressão. Uma outra pesquisa, publicada em 2013 pela Universidade de Oslo, mostra que o yoga modifica até os genes das células imunitárias.

Remédio milagroso?

O chefe de serviço de reumatologia do hospital Pitié Salpêtrière, em Paris, Bruno Fautrel, afirma que a prática não cura doenças, mas que é uma aliada poderosa no alívio das lombalgias crônicas, doenças digestivas, asma, diabetes, anorexia entre outras. 

No hospital Saint Louis, também na capital francesa, a professora Françoise Blanc ministra semanalmente aulas às mulheres com câncer de mama. Segundo uma das pacientes, o yoga tem ajudado a aceitar o baque do tratamento, a se sentir menos estressada e menos cansada. No mesmo hospital, o Dr. Cuvier prescreve aos seus pacientes sessões de yoga. Ele defende que a prática é mais benéfica, em certos casos, que muitos medicamentos.

Bikram, a decadência do dono do império do yoga

A reportagem conta também a história do yoga raj, o rei do yoga, Bikram Choudhury. O menino pobre do norte da India que aos 3 anos de idade começou a praticar yoga e que virou o mentor de estrelas como Michael Jackson, Madona e Lady Gaga.

Em 1973, Bikram decidiu criar um método de yoga terapêutico e exportá-lo ao ocidente. Com a ajuda de médicos da Universidade de Tóquio, ele elaborou uma sequência de posições básicas a partir do hatha yoga, o tipo mais conhecido e praticado no ocidente, para tornar a prática acessível a todos.

Criticado por fazer da prática milenar uma franquia milionária, uma espécie de McDonald’s, Bikram viu nos últimos anos sua notoriedade cair por terra após várias denúncias e processos de violência sexual. Sua fortuna é estimada em 60 milhões de dólares, quase 200 milhões de reais.

O guru, que se compara a Jesus ou a Buda, afirma que conseguiu seu green card amerciano após curar o joelho do presidente Nixon. Controverso, ele diz que trabalhou com os Beatles em 1959, mas a banda inglesa só foi formada em 1960. Racista, ele afirma que os negros não entendem o seu yoga. Em 2016, ele foi condenado por abuso sexual e no ano passado um juiz americano emitiu madado de prisão. Ao se defender, durante uma entrevista à rede de televisão americana CNN, Bikram disse que não precisava abusar de ninguém porque tinha milhões de mulheres que dariam tudo para ter uma relação sexual com ele.

Sua disciplina é cada vez mais colocada à prova. Uma associação americana que visa promover a atividade física, fez um estudo sobre os perigos do yoga Bikram. Segundo o levantamento, a prática é perigosa por fazer com que o corpo tenha um pico no aumento da temperatura. A disciplina é praticada em salas ambientadas em 40 Cº e com alta humidade do ar.

Apesar desse caso, digamos que isolado, o yoga é comprovadamente uma das práticas mais completas quando o assunto é saúde física, mental e qualidade de vida.

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