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Um pulo em Paris
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Catherine Millet diz que adversárias feministas exageram na indignação

Por Adriana Moysés

A semana na França foi marcada pela polêmica entre um grupo de escritoras, jornalistas e artistas, como a atriz Catherine Deneuve, que denunciaram em uma carta pública uma "onda de puritanismo" após as acusações de assédio e agressão sexual contra o produtor de cinema americano Harvey Weinstein. Elas criticam "um certo tipo de feminismo que oculta um ódio pelos homens e a sexualidade" e acreditam que o estímulo às delações pode levar a um recuo autoritário.

Nesta sexta-feira (12), uma das autoras da carta, a crítica de arte e escritora Catherine Millet, deu entrevista à rádio France Inter sobre a indignação provocada por certas passagens do texto, como a defesa da "liberdade" de os homens "importunarem" as mulheres, algo "indispensável à liberdade sexual".

Segundo Catherine Millet, "houve um exagero enorme da parte de nossas adversárias, que estão em uma posição bem mais polêmica do que nós, autoras dessa carta".

"Quisemos apenas dizer, depois de constatar a mesma incompreensão ao nosso redor, que não compreendemos esses apelos à censura, essas denúncias nas redes sociais de gestos masculinos que não consideramos criminosos a esse ponto. [...] Não somos idiotas a ponto de não condenarmos o estupro e o assédio sexual quando ele atinge proporções graves, mas não compreendemos a proibição de um gesto mais ousado. Acho muito perigoso esse policiamento, todo mundo vigiando todo mundo."

Questionada sobre a questão do consentimento, que só é citado uma vez na carta e para ser criticado, Millet afirma que ficou muito impressionada com um projeto de lei em tramitação na Suécia que prevê que antes de uma relaçao sexual será necessário obter o consentimento explícito das duas partes. "Agora, vamos ter de assinar um contrato no cartório antes de ter uma relaçao sexual", questionou. "Essa proposta é um delírio", disse a escritora.

Ela se posicionou contra a adoção da multa de € 75 mil euros para os homens que se masturbarem contra o corpo de uma mulher sem seu consentimento no metrô, gesto caracterizado como uma agressão sexual pela legislação francesa. "Fui contra essa lei e tenho compaixão por esses homens", declarou Millet.

Abuso de poder existe, mas vitimização não ajuda

A crítica de arte voltou a dizer que reconhece a existência de abuso de poder da parte dos homens, principalmente no universo profissional. Mesmo assim, lança uma advertência. "Eu acho que essas feministas que desejam manter as mulheres no papel de vítimas, de presas fáceis, não ajudam as mulheres. É preciso ensinar as mulheres a serem fortes, a se livrarem de um homem que encosta nelas no metrô dizendo a ele em alto e bom tom para se afastar. E depois esquecer esse episódio, não ficar traumatizadas para o resto da vida."

Millet contou que o manifesto continua recebendo assinaturas. As mais recentes foram de Elisabeth Badinter, igualmente escritora e feminista, e a da americana Samantha Geimer, que há 40 anos denunciou o cineasta Roman Polanski por estupro nos Estados Unidos.

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