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Escândalo do leite infantil com salmonela é "fiasco sanitário"

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O escândalo do leite infantil contaminado com salmonela, da marca Lactalis, é destaque da imprensa francesa desta sexta-feira (12). GUILLAUME SOUVANT / AFP

O escândalo do leite para bebês contaminado com salmonela, protagonizado pela fábrica Lactalis, está nas páginas dos principais jornais franceses desta sexta-feira (12). Desde dezembro do ano passado, quando o caso veio à tona, vários lotes dos produtos deveriam ter sido retirados das prateleiras. Mas ao menos cinco grandes redes de supermercados da França admitem terem continuado vendendo as mercadorias, por "um erro de distribuição".


"Lactalis: as chaves de um fiasco sanitário" é a manchete de capa do jornal Les Echos desta sexta-feira. O diário ressalta uma série de falhas que envolvem desde a empresa - a maior fabricante de leite da França e líder mundial no setor -, passando pelas grandes redes de distribuição e até mesmo o governo francês.

Independente do recall de todos os produtos potencialmente contaminados com salmonela em 22 de dezembro, eles continuaram nas prateleiras. De acordo com uma inspeção em 2.500 estabelecimentos - feita pela Direção Geral do Consumo, Concorrência e Repressão de Fraudes - ao menos 91 pontos de venda na França seguiram comercializando as mercadorias.

Além disso, mais de um mês depois que o escândalo veio à tona, a Lactalis ainda não soube explicar porque todos os esforços que diz ter empregado para evitar que o produto contaminado continuasse a ser comercializado não funcionaram, ressalta Les Echos.

Mais de 200 bebês teriam contraído salmonela

O jornal também indica que, na França, 36 bebês com idades entre duas semanas e nove meses contraíram salmonela após o consumo dos produtos contaminados. Entre eles, 18 foram hospitalizados e todos passam bem - o que não alivia a revolta dos pais.

No entanto, de acordo com a Associação das Famílias das Vítimas do Leite Contaminado com Salmonela, o número de doentes é muito maior que o divulgado: ao menos 200 bebês teriam contraído a bactéria e vários entre eles tiveram que ser hospitalizados diversas vezes.

De quem é a responsabilidade?

O jornal Libération destaca a mise en scène do governo sobre a questão. Ontem, o ministro francês da Economia, Bruno Le Maire, não hesitou em atacar publicamente a Lactalis com um vocabulário repreensivo: "caso grave", "comportamentos inaceitáveis que devem ser punidos", "grandes disfunções"... tudo isso, segundo Libé, para se esquivar da responsabilidade no escândalo que o governo atribui unicamente à empresa.

O jornal Le Figaro ressalta que a Lactalis, que apresentou seus pedidos de desculpas, mas até agora se eximiu de qualquer responsabilidade, deve tentar se explicar nesta sexta-feira. Desculpas à parte, a empresa já começa a sofrer as consequências econômicas do escândalo. A fábrica da cidade de Craon - onde a contaminação teria acontecido -  parou de funcionar em 8 de dezembro e 250 funcionários estão parcialmente desempregados.

A Lactalis tem fábricas no Brasil, mas o país não consta como destinação dos produtos exportados potencialmente contaminados. Na América do Sul, apenas Peru e Colômbia receberam os lotes que poderiam ter salmonela.